Chevrolet traz de volta modelo consagrado e surpreende com nova proposta; veja detalhes
A Chevrolet decidiu ressuscitar um nome forte da sua história no Brasil, mas deixou claro desde o início que nostalgia não era o objetivo. A Captiva, que fez sucesso no começo da década passada quando os SUVs ainda engatinhavam no país, retorna ao mercado em 2025 completamente transformada — e irreconhecível para quem lembra do modelo antigo.
O que antes era um utilitário esportivo a combustão agora se apresenta como um SUV 100% elétrico, com foco em tecnologia, espaço interno e menor custo de uso no dia a dia. O reposicionamento é tão profundo que o nome “Captiva” passou a representar apenas um conceito: um carro voltado a quem precisa de espaço, e não mais o mesmo produto do passado.

Essa mudança também revela a estratégia da General Motors diante do avanço das marcas chinesas no Brasil. Depois do Spark EUV, a nova Captiva se torna a segunda aposta da GM para disputar clientes diretamente com elétricos como o BYD Yuan Plus, um dos modelos mais vendidos da categoria.
A comparação é inevitável. Ambos oferecem potência semelhante e autonomia próxima, mas a Captiva chega com um preço mais competitivo: R$ 199.990, cerca de R$ 35 mil abaixo dos R$ 235.990 cobrados pelo concorrente chinês.
Visual global, DNA oriental
Externamente, a nova Captiva segue uma linguagem estética já conhecida nos SUVs elétricos chineses. O conjunto aposta em luzes diurnas (DRL) bem destacadas, faróis posicionados mais abaixo, lanternas estreitas e um capô que se estende até encontrar uma área frontal fechada, típica de modelos elétricos.

Ainda assim, a Chevrolet conseguiu imprimir alguns elementos familiares. O logotipo da marca ocupa uma peça plástica que simula a tradicional grade frontal, enquanto a entrada de ar funcional localizada abaixo reforça uma sensação de robustez mais próxima dos SUVs ocidentais.
O desenho das luzes em LED, que aparentam atravessar um detalhe metálico antes de se conectarem aos faróis, ajuda a criar identidade própria. Embora o carro tenha nascido na China como Wuling Starlight S, o resultado final evita associações diretas com marcas como BYD, GWM, Geely, GAC ou JAC.
Interior muda tudo — e muda o público
Se por fora a Captiva tenta equilibrar referências, é por dentro que a ruptura fica evidente. O interior marca uma guinada total no perfil do carro e no público que a Chevrolet quer atingir.
O ambiente é dominado pelo minimalismo: poucos botões físicos, inclusive no volante, e praticamente todos os comandos concentrados na central multimídia. O destaque absoluto é a tela de 15,6 polegadas, maior do que a de muitos concorrentes chineses e comparável ao tamanho de notebooks.

A qualidade das câmeras de 360 graus surpreende. O efeito de visão aérea funciona de forma fluida, com imagens bem integradas e definição que lembra câmeras de smartphones de alto padrão, mesmo em ambientes com pouca luz.
Outro ponto sensível nesse tipo de sistema — o tempo de resposta ao toque — também não decepciona. Durante os testes, não houve lentidão perceptível, ainda que existam sistemas mais refinados no mercado, como o dos novos GWM Haval H6.
Apesar da simplicidade visual, o acabamento transmite conforto. Há poucas áreas em plástico rígido, com predominância de superfícies macias, diferentes texturas e elementos que imitam metal e madeira.
Curiosamente, nem o Equinox a combustão, que custa R$ 91,2 mil a mais, entrega o mesmo cuidado em materiais. Já o Equinox elétrico, R$ 150 mil mais caro, também fica atrás em percepção de tecnologia e acabamento, mesmo sendo um projeto totalmente norte-americano.
Conforto com acerto brasileiro
Embora utilize uma base chinesa, a Captiva passou por ajustes específicos para o mercado nacional. A Chevrolet confirmou mudanças, especialmente na suspensão, que lembra o acerto mais firme já conhecido em SUVs da marca, como Tracker e Equinox.
A direção elétrica é outro ponto forte. Extremamente leve, facilita manobras em qualquer situação, mas sem comprometer a sensação de controle — um equilíbrio raro em sistemas muito assistidos.
Cresceu por fora e aproveitou melhor por dentro
Em relação à última Captiva vendida no Brasil, o novo modelo ficou 26,9 cm mais longo e ganhou 10 cm no entre-eixos. O resultado aparece no porta-malas, que passou de 383 para 403 litros, e no espaço interno, suficiente para cinco ocupantes viajarem com conforto.
Em comprimento, a Captiva supera o Volkswagen Tiguan e se aproxima de modelos maiores como Jeep Commander e Toyota SW4, ambos com cerca de 4,77 m a 4,79 m. A diferença é que esses rivais levam sete pessoas, enquanto a Captiva mantém cinco lugares para privilegiar espaço e conforto.
Mesmo com dimensões próximas às de um SUV grande, o bom aproveitamento do conjunto elétrico faz com que o carro não transmita a sensação de exagero visual. Ela fica apenas três centímetros menor que o Commander, mas com uma proposta mais equilibrada.
Desempenho e autonomia condizem com a proposta
A Captiva EV não foi pensada para esportividade. A velocidade máxima de 150 km/h e o tempo de 9,9 segundos no 0 a 100 km/h reforçam o foco em conforto e uso familiar.
A autonomia declarada é de 304 km por carga, suficiente para quem já entende a lógica dos elétricos e planeja viagens com antecedência. Segundo a própria Chevrolet, existem tecnologias capazes de entregar maior alcance — como a arquitetura Ultium —, mas o objetivo aqui foi manter o custo sob controle.
Afinal, para quem é a nova Captiva?
A Captiva elétrica não conversa com o mesmo público do passado. Ela surge em um mercado muito mais competitivo, repleto de SUVs de todos os tamanhos e preços, inclusive abaixo dos R$ 100 mil.
O que permanece é a vocação para quem precisa de espaço. Hoje, porém, esse perfil costuma incluir famílias com filhos, viagens frequentes e uma forte valorização por tecnologia.
Nesse cenário, a Captiva se posiciona como uma alternativa aos SUVs elétricos chineses, com o peso de uma marca centenária no Brasil e um preço mais agressivo. Ela só deixa de ser uma boa opção para quem não tem como recarregar o carro em casa ou vive fora dos grandes centros.
