Bill Clinton e Hillary Clinton vão depor no Congresso dos EUA sobre o caso Epstein
O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram em prestar depoimento em uma investigação do Congresso dos Estados Unidos sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein. A decisão evita, por ora, uma possível votação para declará-los em desacato.
A apuração é conduzida pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlado por republicanos, que havia acusado o casal de descumprir intimações para comparecer pessoalmente e esclarecer vínculos com Epstein, encontrado morto na prisão em 2019.
Inicialmente, Bill e Hillary Clinton se recusaram a depor, alegando que as intimações não apresentavam um objetivo legislativo claro. Ambos chegaram a enviar declarações juramentadas por escrito, nas quais relataram o que sabiam sobre Epstein e sua ex-parceira Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos de prisão.

A mudança de posição foi confirmada pelo porta-voz do casal, Ángel Ureña, que afirmou nas redes sociais que o ex-presidente e a ex-secretária de Estado “estarão lá” e esperam que o procedimento estabeleça um precedente válido para todos os envolvidos.
Com o acordo para os depoimentos, o Comitê de Regras decidiu suspender a votação que poderia declarar o casal em desacato ao Congresso.
Republicanos defendem que os laços de Bill Clinton com Epstein justificam o interrogatório presencial, citando o uso do jato privado do financista no início dos anos 2000, antes da condenação de Epstein por prostituição de menores. O ex-presidente reconheceu as viagens, afirmando que estavam relacionadas a atividades humanitárias da Fundação Clinton, mas disse nunca ter visitado a ilha privada do financista.
Democratas, por sua vez, acusam os republicanos de usar a investigação como instrumento político para atacar adversários do presidente Donald Trump, que manteve amizade com Epstein no passado e não foi convocado a testemunhar.
O caso ganhou novo capítulo após a divulgação recente de arquivos judiciais relacionados a Epstein. Advogados de vítimas afirmam que documentos tornados públicos expuseram nomes e dados pessoais que deveriam permanecer sob sigilo. Um tribunal federal deve analisar nesta quarta-feira um pedido para bloquear o acesso aos registros.
O Departamento de Justiça afirmou que trabalha para corrigir falhas de censura nos arquivos divulgados. Autoridades ressaltam que a simples menção de nomes nos documentos não implica, por si só, envolvimento em crimes, embora revele vínculos entre Epstein e figuras públicas de alto escalão.
