Ataques aéreos em Gaza deixam ao menos 32 mortos às vésperas da reabertura de Rafah
Pelo menos 32 pessoas morreram neste sábado (31) após uma série de ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza, segundo informações do serviço de resgate local. As ofensivas ocorreram poucas horas antes da anunciada reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah, no sul do território.
De acordo com a Defesa Civil, equipes localizaram ao menos 28 corpos sob os escombros, incluindo mulheres, crianças e um idoso. Há relatos de pessoas ainda presas entre as estruturas destruídas. Os bombardeios atingiram edifícios residenciais, tendas que abrigam deslocados e uma delegacia de polícia.
Um dos ataques teve como alvo a região de Al Mawasi, onde dezenas de milhares de pessoas vivem em acampamentos improvisados. O número de vítimas nessa área ainda não havia sido contabilizado até a última atualização. Já o ataque à delegacia, na Cidade de Gaza, deixou sete mortos, entre agentes e civis, segundo a polícia local.

Em comunicado, o Exército de Israel afirmou que os bombardeios foram uma resposta a um suposto incidente registrado na sexta-feira, quando combatentes palestinos teriam saído de um túnel em Rafah, o que, segundo os militares, violaria o acordo de trégua em vigor. Israel disse ter atingido comandantes e integrantes de grupos armados palestinos.
O Hamas classificou as ações como um “crime brutal” e acusou Israel de violar gravemente o cessar-fogo. Autoridades de saúde em Gaza também denunciaram restrições à entrada de medicamentos, equipamentos e ajuda humanitária no território.
Os ataques ocorreram às vésperas da reabertura controlada da passagem de Rafah, única saída de Gaza que não passa por Israel. A medida prevê a circulação limitada de pessoas, em coordenação com o Egito, com autorização prévia israelense e supervisão de uma missão da União Europeia.
A decisão, no entanto, é considerada insuficiente por organizações internacionais e por países que cobram acesso irrestrito à ajuda humanitária. A reabertura também deve permitir a chegada de um comitê responsável por administrar Gaza durante um período transitório.
Apesar de um cessar-fogo frágil em vigor desde outubro, Israel e Hamas trocam acusações de violações constantes. Segundo autoridades de saúde locais, mais de 500 pessoas morreram desde o início da trégua. Desde o começo da guerra, iniciada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, mais de 71 mil palestinos morreram em Gaza, de acordo com dados considerados confiáveis por organismos internacionais.
