Mark Rutte diz que aliança vai ampliar atuação no Ártico e quer limitar avanço de Rússia e China
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira (26) que o bloco militar pretende assumir um papel maior na segurança do Ártico, em meio ao avanço das negociações por um acordo envolvendo a Groenlândia com os Estados Unidos.
A declaração foi dada durante participação na Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu. Segundo Rutte, duas frentes de trabalho foram definidas para tratar da segurança da Groenlândia e da região ártica, incluindo a ampliação da responsabilidade da Otan no território.
“Também concordamos em evitar que Rússia e China tenham mais acesso ao Ártico”, afirmou, ao reforçar que a relação entre Europa e a aliança militar está “melhor do que nunca”.

Rutte voltou a defender que a Otan permaneça unida e criticou a ideia de uma defesa europeia sem os Estados Unidos. Para ele, quem acredita que a Europa pode se proteger sozinha deveria “continuar sonhando”.
De acordo com o secretário-geral, sem o apoio americano, os países europeus precisariam investir até 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa para garantir a própria segurança, o que representaria o dobro do nível projetado atualmente.
Ele também citou o presidente russo Vladimir Putin e afirmou que Moscou se beneficiaria de uma separação entre Europa e Estados Unidos no setor militar.
“Vladimir Putin adoraria uma força de defesa europeia separada dos Estados Unidos”, alertou.
Ao comentar as discussões sobre a Groenlândia, Rutte afirmou que o tema não está ligado às negociações e destacou que se tratam de assuntos diferentes.
Sobre a guerra na Ucrânia, ele defendeu que a União Europeia não seja “excessivamente restritiva” nas condições do empréstimo de 90 bilhões de euros destinado ao país no biênio 2026-2027. Segundo ele, é importante garantir flexibilidade para que os ucranianos possam usar os recursos na compra de armas.
“Estou incentivando a União Europeia a garantir flexibilidade na forma como a Ucrânia pode usar o empréstimo para a compra de armas”, disse.
