Zico critica uso de gramado sintético e reacende debate entre clubes após Jogo das Estrelas
O ex-jogador Zico voltou a manifestar-se de forma contundente contra o uso de gramado sintético no futebol brasileiro ao final da 21ª edição do Jogo das Estrelas, realizada no último sábado no estádio do Maracanã. O evento reuniu diversas celebridades do esporte e, ao comentar temas variados, o ídolo rubro-negro manteve um tom crítico sobre a adoção do piso artificial no país.
“Não dá mais. Para mim, esse assunto já encheu o saco. No futebol mundial, onde estão as melhores competições, não existe campo sintético. Só no Brasil. A Champions League tem sintético? A Premier League? Bundesliga? França? Itália?”, questionou Zico. O ex-atleta completou afirmando que os jogadores “foram feitos para jogar na grama” e que os clubes deveriam priorizar investimentos na manutenção dos campos: “É preciso gastar dinheiro e cuidar do campo, isso é o mais importante. Você vê times investindo em coisas absurdas, quando deveriam investir no campo de jogo. Isso, sim, é fundamental”.
A declaração ocorre em meio a uma polêmica já estabelecida no cenário nacional: para a temporada 2026 da Série A do Campeonato Brasileiro, cinco clubes deverão mandar jogos em estádios com gramado sintético — Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras — o que tem alimentado intensos debates sobre segurança, padronização e competitividade.
Manifestos e reações
A discussão ganhou força também nas redes sociais e nos meios institucionais. Um grupo de atletas publicou um manifesto criticando o uso do piso artificial, enquanto o Flamengo protocolou junto à CBF um pedido de padronização dos gramados nas competições nacionais. O clube carioca publicou ainda uma peça com o título “Grama ou Plástico?”, que ressaltava o suposto aumento do risco de lesões em superfícies sintéticas.
Em resposta, o Palmeiras e outras agremiações que utilizam gramado sintético lançaram a campanha “Sintético ou Buraco”, apresentando argumentos e dados para rebater informações consideradas incorretas sobre o piso. A presidente palmeirense, Leila Pereira, chegou a criticar as condições do gramado do Maracanã e afirmou que, quando o Flamengo tiver um estádio próprio, poderá optar pelo tipo de superfície que julgar adequado.
Conflito técnico e institucional
Especialistas apontam que a questão envolve variáveis técnicas — como qualidade da infraestrutura, manutenção e regulamentações —, além de interesses esportivos e econômicos dos clubes. A ausência de uma padronização nacional, somada à disparidade entre estádios, tende a manter o tema em evidência à medida que a temporada de 2026 se aproxima.
A polêmica promete seguir no centro do debate entre dirigentes, atletas e torcidas, com repercussões em decisões administrativas e na agenda da CBF para definição de critérios técnicos e normativos sobre o tipo de gramado empregue nas competições oficiais.
