Homem que atacou guardas nacionais nos EUA será denunciado por assassinato
O afegão Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos, acusado de atirar contra dois integrantes da Guarda Nacional nos arredores da Casa Branca, será formalmente indiciado por assassinato em primeiro grau, segundo informou nesta sexta-feira (28) a procuradora federal de Washington D.C., Jeanine Pirro. Um dos guardas atingidos, a soldado Sarah Beckstrom, de 20 anos, não resistiu aos ferimentos.
O ataque ocorreu na véspera do Dia de Ação de Graças. De acordo com a investigação, Lakanwal teria emboscado os militares usando um revólver Smith & Wesson .357. Além de Beckstrom, o soldado Andrew Wolfe, de 24 anos, também foi baleado e segue em estado crítico.
Em entrevista à Fox News, Pirro classificou o caso como “assassinato premeditado” e disse que novas acusações podem ser adicionadas ao processo. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que pretende pedir pena de morte para o acusado, a quem chamou de “monstro”.

Segundo relatos da imprensa americana, Lakanwal integrou unidades antiterrorismo afegãs conhecidas como “unidades zero”, grupos apoiados pela CIA durante a guerra no país asiático.
Caso reacende debate sobre imigração nos EUA
O ataque provocou forte repercussão política. Na noite de quinta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que pretende suspender permanentemente a imigração de “países do terceiro mundo”, prometendo ainda revisar permissões de residência concedidas nos últimos anos.
Indagado sobre quais nacionalidades estariam na mira do governo, o Departamento de Segurança Interna citou uma lista de 19 países que já enfrentam restrições de viagem sob uma ordem anterior de Trump — entre eles Afeganistão, Cuba, Haiti, Irã e Mianmar.
O Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) também informou que fará uma “reavaliação rigorosa” de todos os Green Cards emitidos para cidadãos desses países. Segundo dados oficiais, mais de 1,6 milhão de residentes permanentes nasceram em nações que integram essa lista.
Divergências sobre segurança na entrada de afegãos
Autoridades de segurança dos Estados Unidos afirmam que Lakanwal teria entrado no país sem supervisão adequada durante políticas de asilo do governo Biden após a retirada americana do Afeganistão.
Organizações humanitárias, entretanto, contestam essa versão. A AfghanEvac, que participou do reassentamento de afegãos, declarou que refugiados do país passaram por “algumas das verificações de segurança mais rígidas entre todos os imigrantes”.
Enquanto isso, Wolfe segue internado em estado grave. “Ainda temos esperança”, afirmou a procuradora Pirro. “Estamos fazendo tudo o que é possível para apoiar sua família”.
