Ex-presidente Álvaro Uribe é absolvido na Colômbia após anulação de condenação por suborno e fraude processual
A Justiça da Colômbia absolveu, nesta terça-feira (21), o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez das acusações de suborno de testemunhas e fraude processual, revertendo a condenação de 12 anos de prisão domiciliar imposta em agosto deste ano.
O caso, que se arrastava há mais de uma década, foi um dos mais controversos da história política recente do país e envolvia alegações de manipulação de testemunhas e vínculos com grupos paramilitares.
O Tribunal Superior de Bogotá decidiu que não há provas suficientes para sustentar que Uribe tenha ordenado ou participado de qualquer tentativa de suborno. A corte anulou a sentença de primeira instância e determinou a revogação imediata da prisão domiciliar. O veredito destacou que as evidências do Ministério Público eram “inconsistentes e baseadas em testemunhos contraditórios”, reafirmando o princípio da presunção de inocência.

Uribe, que governou a Colômbia entre 2002 e 2010, sempre negou as acusações e afirmava ser vítima de uma “perseguição política”. Após a decisão, o ex-presidente comemorou nas redes sociais: “Graças a Deus e à justiça, a verdade prevaleceu. Lutamos contra a perseguição e vencemos com dignidade”, escreveu no X (antigo Twitter).
A absolvição foi celebrada por integrantes do Centro Democrático, partido fundado por Uribe, que classificaram o resultado como uma “vitória da verdade”. Analistas políticos apontam que a decisão tem forte impacto na política colombiana, fortalecendo o campo conservador e reacendendo o debate sobre o papel do Judiciário no país.
Organizações de direitos humanos, no entanto, criticaram o desfecho, alegando que a Justiça “falhou em responsabilizar figuras poderosas” por abusos cometidos durante o conflito armado colombiano.
Mesmo com a absolvição, Uribe ainda responde a outros processos relacionados a suposta participação em massacres e casos de espionagem ilegal. Nenhum deles, contudo, chegou à fase de julgamento.
Com a decisão, o ex-presidente recupera a liberdade total e seus direitos políticos, abrindo caminho para um possível retorno à vida pública e novas articulações no cenário eleitoral de 2026.
