Trump anuncia cortes permanentes no governo federal durante paralisação administrativa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (2) que planeja implementar cortes permanentes no governo federal em meio à paralisação parcial provocada pela falta de acordo entre democratas e republicanos no Congresso.
Segundo Trump, bilhões de dólares em fundos federais destinados a estados governados por democratas devem ser cortados. Em publicação na rede Truth Social, ele disse que se reuniria com Russel Vought, diretor do Escritório de Orçamento, para discutir a redução de agências que chamou de “farsas políticas”.
“Não posso acreditar que os democratas da esquerda radical tenham me dado esta oportunidade sem precedentes”, ironizou o republicano, que também usou um tom debochado em mensagens dirigidas a lideranças democratas, como Hakeem Jeffries e Chuck Schumer.

A paralisação do governo começou na quarta-feira (1º), após o fim do ano fiscal sem aprovação de um orçamento provisório. Estima-se que cerca de 750 mil servidores sejam afetados — parte deles afastados temporariamente e outros trabalhando sem salário até a aprovação de um acordo.
Os republicanos defendem a prorrogação dos gastos públicos até 21 de novembro, enquanto os democratas condicionam o orçamento à recomposição de verbas para saúde. Até agora, o Senado não conseguiu aprovar nenhuma das propostas apresentadas.
Trump tem direcionado cortes especialmente a redutos democratas, como Califórnia e Nova York. O Departamento de Energia anunciou o cancelamento de 321 financiamentos a 223 projetos, totalizando US$ 7,56 bilhões em recursos. Na Califórnia, o governador Gavin Newsom confirmou o bloqueio de US$ 1,2 bilhão para um projeto de energia de hidrogênio, colocando milhares de empregos em risco.
Especialistas jurídicos questionam a legalidade de cortes permanentes em plena paralisação. “O próprio ato de demitir pessoas é ilegal. Não é autorizado”, afirmou David Super, professor da Universidade de Georgetown.
Esta é a primeira paralisação do governo federal desde 2019, a mais longa da história, com 35 dias de duração. Sindicatos e empresas de aviação alertaram para riscos à segurança e atrasos em voos devido ao bloqueio, pressionando o Congresso a buscar uma solução.
