Air France e Airbus negam responsabilidade por acidente em voo Rio-Paris de 2009
Começou nesta segunda-feira (29), em Paris, o processo de apelação no qual Airbus e Air France voltam ao banco dos réus para responder sobre o acidente com o voo A330 que fazia a rota Rio de Janeiro–Paris e caiu no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009, matando 228 pessoas. A nova etapa ocorre dois anos após as empresas terem sido absolvidas em primeira instância por homicídio culposo.
A audiência foi marcada por forte carga emocional. Os nomes dos 216 passageiros e 12 tripulantes – de 33 nacionalidades – foram lidos no tribunal, entre eles 72 franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Familiares presentes expressaram indignação quando os CEOs de Air France, Anne Rigail, e de Airbus, Guillaume Faury, prestaram condolências, mas voltaram a rejeitar qualquer responsabilidade criminal.
“Foi um discurso ditado, sem humanidade”, criticou Alain Jakubowicz, advogado da principal associação de vítimas, que considera o caso uma “luta de Davi contra Golias”. Para os parentes, as companhias não investigaram adequadamente as falhas das sondas de velocidade e não treinaram os pilotos para lidar com a situação, que já havia sido relatada em ocorrências anteriores.

O relatório pericial concluiu que as sondas de velocidade (pitot) congelaram em voo, gerando dados incorretos e induzindo os pilotos a uma sequência de decisões que levou à queda da aeronave. A presidente do tribunal destacou que os pilotos “lutaram até o fim” e que o julgamento busca esclarecer responsabilidades: “Estamos aqui para descobrir a verdade, não para procurar culpados. Ao longo do processo, veremos se alguém cometeu erros”, disse.
O julgamento deve se estender até o final de novembro e pode resultar na revisão da absolvição das empresas.
