Israel abre rota temporária para fuga de civis enquanto enfrenta acusações de genocídio na ONU
O governo de Israel anunciou, nesta quarta-feira (17), a abertura de uma “nova rota de passagem temporária” para permitir a fuga de palestinos da Cidade de Gaza, um dia após iniciar uma grande ofensiva terrestre para tentar eliminar o grupo terrorista Hamas.
Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Avichay Adraee, o corredor ficará aberto por 48 horas a partir do meio-dia de quinta-feira (18), no horário local, e atravessa a estrada Salah al-Din, que conecta o norte e o sul da Faixa de Gaza.
Até então, o Exército israelense havia orientado os civis a utilizarem uma rota costeira para se deslocarem em direção à chamada “zona humanitária”, na região de Al Mawasi.

Ofensiva terrestre e bombardeios
As Forças Armadas israelenses afirmam que o objetivo da operação é expulsar o Hamas de um de seus últimos redutos na Cidade de Gaza. Mais de 150 alvos foram atacados desde o início da ofensiva.
“Por que matar crianças que dormiam tranquilamente? Tiramos as crianças em pedaços”, lamentou Abu Abd Zaqut, morador de uma das áreas bombardeadas, em depoimento à AFP.
Segundo estimativas da ONU, quase um milhão de pessoas viviam no entorno da Cidade de Gaza até o fim de agosto. O Exército israelense afirma que mais de 350 mil já fugiram para o sul, mas muitos moradores alegam que preferem permanecer em suas casas, temendo não encontrar segurança em nenhum outro local do território.
Denúncia de genocídio
Na terça-feira (16), uma comissão internacional independente de investigação da ONU acusou Israel de cometer “genocídio” em Gaza, atribuindo a responsabilidade ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a outros líderes israelenses.
Israel rejeitou a acusação e pediu a dissolução “imediata” da comissão. O governo classificou o relatório como “tendencioso e mentiroso”.
O Catar condenou os ataques israelenses, classificando-os como “uma extensão da guerra genocida contra o povo palestino”, enquanto a China pediu a interrupção da ofensiva e expressou oposição às ações contra civis.
A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas, em 2023, que matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis. Desde então, a campanha de retaliação israelense já deixou mais de 64.900 mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
