Enigma submarino: cratera no fundo do mar intriga cientistas há mais de 20 anos
A 130 quilômetros do litoral da Inglaterra, cientistas identificaram uma formação enigmática no fundo do mar: a Cratera Silverpit, com cerca de três quilômetros de largura e cercada por anéis concêntricos semelhantes aos vistos em luas geladas, como Calisto, de Júpiter. A descoberta ocorreu durante a análise de dados sísmicos usados na exploração de gás.
Desde que foi registrada, a cratera divide especialistas entre duas hipóteses principais para explicar sua origem: o impacto de um meteorito ou o colapso de sal subterrâneo.

Impacto cósmico
Os geofísicos Simon Stewart e Phil Allen descreveram a cratera em um artigo publicado na revista Science em 2002, sugerindo que ela teria se formado há cerca de 45 milhões de anos após a queda de um meteorito.
Em 2025, novas análises encontraram minerais “choqueados” — marcas microscópicas típicas de impactos de alta pressão — em grãos de quartzo e feldspato coletados abaixo da cratera. Modelos numéricos indicam que o corpo celeste responsável teria cerca de 160 metros de diâmetro para criar um buraco dessa dimensão.
Colapso subterrâneo
A teoria alternativa aponta para um processo chamado halocinese, em que o sal subterrâneo se desloca, desestabilizando o sedimento acima, que acaba desabando. Dados sísmicos revelaram a presença de diapiros — estruturas formadas pela ascensão do sal — e de depressões salinas, o que reforça essa possibilidade.
Mistério em aberto
Com as novas evidências, o impacto de meteorito volta a ser a explicação mais provável para a formação da Cratera Silverpit, embora o debate entre as hipóteses siga aberto. Para a ciência, o local é uma rara oportunidade de estudar fenômenos geológicos e cósmicos que moldaram a Terra milhões de anos atrás.
