Homem sobrevive a ataque de onça em Corumbá e cobra ação das autoridades
Valdinei da Silva Pereira, de 57 anos, sobreviveu a um ataque de onça na noite de quarta-feira (6), em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O porteiro se preparava para sair para o trabalho quando foi surpreendido pelo animal, que saltou sobre seu rosto e causou diversos ferimentos no lado direito. “Se ela tivesse me derrubado, tinha acabado comigo”, disse Valdinei em entrevista ao g1.
O ataque aconteceu no quintal de casa, quando Valdinei desceu com uma lanterna e um pedaço de pau na mão — que, segundo ele, foi o que o salvou. A onça havia matado dois de seus cachorros nos dias anteriores, inclusive um filhote, e, naquela noite, chegou a entrar no terreno. “Eu não esperava que ela fosse avançar em mim”, relatou.
Mesmo ferido, ele conseguiu reagir, empurrando o animal com um golpe. “Se ela tivesse grudado mesmo, ela tinha arrancado essa parte do meu rosto”, afirmou. O irmão dele prestou socorro, enquanto a irmã, assustada, não conseguiu descer até o local por conta da escuridão.
Na manhã desta quinta-feira (7), Valdinei recebeu atendimento na Santa Casa de Corumbá. Ele tomou cinco injeções e recebeu alta logo em seguida.
Apesar do alívio por estar vivo, o porteiro fez um apelo às autoridades. “Esses dias foi o senhor lá do touro morto. Hoje foi eu. E amanhã pode ser uma criança. Quero que tomem providências”, declarou.
Segundo ataque em 2025
O caso é o segundo ataque de onça registrado em Mato Grosso do Sul neste ano. Em abril, o caseiro Jorge Avalo, de 60 anos, morreu após ser atacado por uma onça-pintada às margens do rio Miranda, também no Pantanal. A onça responsável foi capturada e identificada pela Polícia Científica e atualmente está sob cuidados em um centro de reabilitação em São Paulo.
Apesar da gravidade do caso de Valdinei, nem a Polícia Militar Ambiental nem o Ibama foram acionados oficialmente até o momento.
O episódio acende um alerta sobre a presença de animais silvestres em áreas urbanas do Pantanal, especialmente em períodos de seca e queimadas, que empurram a fauna para regiões mais próximas das cidades. Moradores temem novos ataques e cobram ações preventivas.
