Partido religioso rompe com Netanyahu e agrava crise política em Israel
A coalizão liderada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta uma nova turbulência política após a decisão do partido Judaísmo Unido da Torá de se retirar do governo. A medida acendeu o alerta máximo no gabinete de Netanyahu, que agora depende de uma estreita maioria de apenas 61 deputados num parlamento composto por 120 membros.
A ruptura teve como estopim um projeto de lei que visa tornar obrigatório o alistamento militar para judeus ultraortodoxos – grupo atualmente isento da obrigação. A proposta provocou resistência imediata por parte dos partidos religiosos, que veem na isenção um pilar identitário de sua comunidade. O Judaísmo Unido da Torá, com seis cadeiras no Knesset, exige garantias de que a isenção será mantida.
Com o prazo de 48 horas para tentar reverter a decisão e manter a frágil maioria, Netanyahu também encara a ameaça do Otzma Yehudit, partido de extrema-direita com 11 assentos, que sinalizou descontentamento e possibilidade de abandono da coalizão caso a crise não seja contida.

Apesar do clima tenso, o primeiro-ministro poderá contar com um breve alívio institucional: o parlamento israelense entra em recesso de verão no fim de julho, suspendendo suas atividades por três meses. O período pode ser crucial para negociações de bastidores que visem restaurar a estabilidade governamental.
Enquanto isso, a cena política israelense permanece em suspenso, com olhos voltados para os próximos passos de Netanyahu diante de um cenário que pode culminar em novas eleições antecipadas.
