Crise interna não derruba Boto: presidente do Flamengo descarta demissão do diretor de futebol
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, garantiu nesta terça-feira que José Boto permanecerá à frente do departamento de futebol, apesar do clima de tensão que se instaurou no Ninho do Urubu nos últimos meses. “Eu jamais pensei em trocar o comando do futebol do Flamengo”, afirmou o dirigente em contato com o jornalista Paulo Vinícius Coelho, do portal UOL. A declaração busca estancar rumores de que o “homem forte” do futebol rubro-negro poderia ser demitido após sucessivos atritos com integrantes da comissão técnica, jogadores e setores da diretoria.
Contratado há sete meses, o português enfrenta oposição interna desde que sua proximidade com o técnico Filipe Luís passou a ser vista como excessiva por parte da cúpula. Bap esperava de Boto um perfil “contestador” que defendesse interesses institucionais mesmo diante de solicitações do treinador. Entretanto, episódios recentes reforçaram a percepção de desalinhamento. Entre eles, a tentativa de Filipe Luís de interferir em demissões no departamento médico, a resistência em levar o psicólogo do clube ao Mundial de Clubes e a condução de negociações envolvendo Gerson, Arrascaeta e Pedro.
A crise ganhou novo capítulo quando Boto concedeu entrevistas a veículos estrangeiros durante a pré-temporada nos Estados Unidos e citou publicamente nomes de possíveis reforços, como o atacante sérvio Dušan Vlahović. A exposição foi considerada inoportuna por dirigentes e gerou desconforto no elenco, que já se sentia vulnerável após vazamentos sobre valores e condições contratuais. Em outro caso, a declaração atribuída ao diretor de que venderia Pedro por 15 milhões de euros, posteriormente negada, foi taxada internamente como “amadora”.
Apesar do desgaste, fontes próximas ao presidente indicam que uma troca imediata está descartada. A avaliação é de que, embora falhas de comunicação tenham ocorrido, a temporada ainda permite ajustes e não há tempo hábil para reestruturar o setor às vésperas da janela de transferências de agosto. Além disso, Bap entende que a estabilidade no cargo pode contribuir para diminuir ruídos e preservar o planejamento esportivo.
Para conter a insatisfação, o mandatário pretende reforçar a hierarquia de decisões. Reuniões nas próximas semanas devem traçar linhas claras de atuação entre comissão técnica, diretoria e departamento médico, além de definir um protocolo de comunicação externa. A expectativa é de que Boto adote postura “mais institucional” e alinhe publicamente o discurso com o presidente.
Enquanto isso, o elenco se prepara para a retomada do Brasileirão e para o confronto decisivo nas oitavas da Libertadores. Internamente, a avaliação é de que resultados positivos em campo podem ser o antídoto mais rápido para a turbulência fora das quatro linhas. Contudo, a permanência do diretor português dependerá da capacidade de recompor relações e demonstrar fidelidade à estratégia traçada por Bap. Caso o ambiente não melhore, a discussão sobre sua continuidade poderá voltar à pauta após o fechamento da próxima janela de transferências.
