Ponte da BR-153 entre Jardim Paulista e Rialma: internautas discutem se fissura é rachadura ou junta de dilatação
Um vídeo gravado por um pescador e divulgado nas redes sociais reacendeu o debate sobre as condições estruturais da ponte sobre o Rio das Almas, na BR-153, entre os municípios de Jardim Paulista e Rialma, no centro-norte de Goiás. Nas imagens, é possível ver uma abertura longitudinal no tabuleiro da ponte. “Vocês acham que isso aqui está bom? Eu acho que não. Dá até medo de passar aqui embaixo”, diz o autor enquanto mostra a fenda.
O material, que rapidamente se espalhou por aplicativos de mensagens, levou motoristas e moradores a temerem por um possível colapso da estrutura. Apesar da apreensão, engenheiros ouvidos pela reportagem esclarecem que a suposta rachadura pode, na verdade, tratar-se de uma junta de dilatação – elemento construtivo previsto em projetos de pontes e viadutos.
“Em pontes de concreto, essas juntas são fundamentais para acomodar a dilatação e a contração provocadas pelas variações de temperatura. Elas evitam o aparecimento de fissuras verdadeiras e absorvem pequenos deslocamentos entre vigas”, explica o professor de Engenharia Civil da UFG. Segundo o especialista, embora a junta possa parecer uma trinca, ela não representa, por si só, risco iminente, desde que esteja íntegra e receba manutenção adequada.

Procurado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou, por nota, que uma equipe técnica realizará vistoria ainda nesta semana para avaliar o estado da estrutura, verificar eventuais degradações no sistema de juntas e, se necessário, adotar medidas corretivas. O órgão ressaltou que a ponte passou por inspeção de rotina em 2022 e não apresentou comprometimento estrutural significativo na ocasião.
Moradores de Jardim Paulista, contudo, relatam problemas recorrentes. “Há trepidações e ruídos fortes quando carretas passam. A gente não se sente seguro”, afirma o comerciante José de Souza, 48 anos. Entidades locais cobram sinalização preventiva e divulgação dos laudos mais recentes.
Enquanto não há conclusão oficial, especialistas recomendam que motoristas respeitem o limite de velocidade de 40 km/h no trecho e evitem ultrapassagens sobre o tabuleiro. “A inspeção periódica e a transparência dos resultados são essenciais para manter a confiança no sistema viário”, resume Pellegrini.
