Voluntário emociona brasileiros em resgate de Juliana e recebe homenagens e pedidos de ajuda financeira
Chamado de “herói”, “guerreiro” e “humano de ouro”, o alpinista indonésio Agam comoveu os brasileiros ao relatar, em uma live nesta quarta-feira (25), como participou voluntariamente do resgate da brasileira Juliana Marins no Monte Rinjani, na Indonésia. A jovem de 26 anos foi encontrada sem vida após cair de uma trilha durante uma expedição.
Apesar das limitações técnicas e do clima desfavorável que impediram o resgate em tempo hábil, a ação de Agam e do colega Tyo, ambos guias experientes, foi exaltada nas redes sociais. Agam chegou ao corpo ainda à noite e passou a madrugada ao lado da vítima para evitar que ela escorregasse mais. “Estava muito frio. Usamos âncoras para não cair mais 300 metros”, contou. Ao se voluntariar, declarou que só sairia do local quando Juliana também saísse.

Reconhecimento e apoio financeiro
Durante a transmissão ao vivo, internautas pediram para contribuir financeiramente com o alpinista. A princípio, Agam recusou compartilhar os dados bancários, dizendo que “faz isso de coração”. Mais tarde, autorizou a divulgação da conta, prometendo dividir a ajuda com os colegas de resgate e usar parte dos recursos em projetos de reflorestamento nas trilhas que percorre.
“Ele agradeceu de coração e pediu desculpas por não ter conseguido trazê-la de volta. Disse que fez o melhor que pôde”, afirmou a tradutora que participou da live.
Críticas ao sistema de resgate
Enquanto Agam era exaltado por sua coragem e empatia, autoridades indonésias foram duramente criticadas pela demora e estrutura precária das operações. O perfil criado pela família de Juliana para divulgar atualizações sobre o caso denunciou negligência e falta de ação do parque nacional, mesmo ciente dos riscos climáticos recorrentes nesta época do ano.
“O parque segue com atividades normalmente, turistas continuam subindo a trilha, enquanto Juliana estava sem água, comida ou agasalho. Passou mais uma noite sem resgate por falta de estrutura”, publicou a irmã, Mariana Marins.

Desaparecimento e tragédia
Juliana estava em viagem pela Ásia desde fevereiro e havia visitado Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de chegar à Indonésia. Segundo relatos, ela fazia trilha com um grupo de cinco pessoas e um guia. No segundo dia, sentiu-se exausta e ficou para trás. O guia seguiu sozinho até o cume e não retornou.
“A informação inicial era de que o guia tinha ficado com ela, mas descobrimos que ele seguiu viagem. Juliana ficou sozinha, desesperada, e caiu. Abandonaram Juliana”, disse Mariana em entrevista ao Fantástico.

A operação de resgate envolveu mais de 15 horas de trabalho com cordas e içamento, em meio à forte neblina e trilha escura. O corpo foi levado até o hospital na cidade de Sembalun.
Agam, que pagou suas próprias despesas para participar da missão, agora é símbolo de humanidade e solidariedade para milhares de brasileiros.
