No ritmo da transformação: Como a tecnologia está redesenhando o setor de seguros no Brasil
O setor de seguros vive uma fase de transformação acelerada. Em 2024, o faturamento das companhias ultrapassou R$ 435,6 bilhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O avanço do mercado tem como pano de fundo uma corrida tecnológica: empresas ampliam os investimentos em computação em nuvem, inteligência artificial e automação, buscando reduzir custos, aprimorar a experiência do cliente e manter a competitividade em um ambiente cada vez mais digital.
Essa mudança já se reflete nos orçamentos. Segundo levantamento da IDC, os gastos com infraestrutura de nuvem no Brasil devem ultrapassar R$ 20 bilhões em 2025. Paralelamente, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, anunciado pelo governo federal, prevê R$ 23 bilhões em incentivos para projetos em setores estratégicos, incluindo o financeiro e o de seguros.
Neste cenário, os sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning) deixam de ser meras ferramentas de retaguarda e passam a ocupar uma posição central na estratégia digital das companhias. Mais integrados a CRMs, plataformas regulatórias, data lakes e soluções de IA, esses sistemas garantem segurança, agilidade e inteligência aos fluxos de informação.

Com mais de 20 anos de experiência em tecnologia, inovação e gestão de sistemas de ERP e 6 deles no setor de seguros, Alceu Pereira acompanha de perto essa transformação. Ele liderou projetos de modernização que começaram com uma mudança de mentalidade, antes mesmo da adoção de novas ferramentas.
“Inovar não é simplesmente trocar sistemas antigos por novos. É repensar processos, olhar para dentro e entender como as pessoas interagem com a tecnologia. A cultura da melhoria contínua precisa estar no centro de tudo”, afirma.
Uma das iniciativas que conduziu foi a migração de cargas críticas do ERP para a nuvem pública. O resultado foi uma redução de cerca de 40% nos custos de infraestrutura, além de ganhos expressivos em estabilidade e segurança para os sistemas mais sensíveis da operação.
“Essa mudança abriu caminho para avanços em inteligência de dados. Hoje conseguimos aplicar modelos preditivos que ajudam a antecipar sinistros e tomar decisões mais rápidas e assertivas”, explica.
Eficiência como diferencial competitivo
Com a infraestrutura consolidada, Alceu liderou a automação de processos repetitivos por meio de RPA (Robotic Process Automation), como nas conciliações bancárias. A medida trouxe efeitos imediatos: o tempo de fechamento contábil caiu 60%, liberando as equipes para se dedicarem a atividades mais analíticas e estratégicas.
Outro passo importante foi a criação de um data lake, que facilitou o cruzamento de informações e ajudou o time de compliance a identificar comportamentos suspeitos, atuando de forma mais preventiva.
“Quando você integra dados confiáveis, o retrabalho diminui drasticamente. As decisões passam a ser baseadas em evidências e o impacto é direto na experiência do cliente e na percepção de valor do serviço”, reforça.
A transformação também chegou ao atendimento. Foi implementado um assistente virtual baseado em inteligência artificial generativa, treinado com mais de 1,5 milhões de interações reais, que apoia tanto corretores quanto clientes. Em poucos meses, a satisfação média com o atendimento saltou para 4,6 em 5.
“Automatizar o atendimento foi uma forma de escalar conhecimento sem abrir mão da qualidade. Hoje, uma dúvida que antes exigia horas para ser resolvida é respondida em segundos”, diz.
ERP segue como motor silencioso da inovação
Embora soluções de IA e machine learning estejam no centro das discussões, Alceu enfatiza que o ERP continua sendo o alicerce da arquitetura digital das empresas, garantindo governança, compliance fiscal e integridade dos dados em larga escala.
“O ERP bem estruturado não é freio para inovação, mas sim o motor silencioso que sustenta tudo que vem por cima: analytics, IA, automação. O segredo está em integrar sistemas e ter processos claros”, resume.
Hoje, Alceu conduz projetos de inovação na área financeira e de integrações entre diversos sistemas, simulando cenários para mitigar riscos, que permitem testar novos produtos com foco em inovação.
“TI precisa ser vista como área que entrega valor ao negócio, não apenas como centro de custo. Quando a tecnologia está integrada à estratégia, ela se torna geradora de receita. Esse é o caminho”, conclui.
Sobre o especialista: Alceu Pereira da Silva, 48 anos, é bacharel em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Universidade Cidade de São Paulo. Possui certificações em Gestão de Projetos, Gestão Ágil, Infraestrutura de TI e Equipes Remotas. Atualmente cursa MBA em Gestão de Negócios, Tecnologia e Transformação Digital pela FIA Business School. Ao longo de sua trajetória, acumulou mais de 40 rollouts de sistemas de gestão, liderando equipes multidisciplinares em projetos de inovação, automação de processos, GED e integração de plataformas e migração para nuvem em grandes operações dos setores de seguros, varejo, distribuição e tecnologia.
