Cientistas descobrem milhões de ovos dourados perto de vulcão submarino ativo no Canadá
Uma equipe de cientistas canadenses revelou uma descoberta surpreendente no fundo do oceano: milhões de ovos vivos da raia-branca-do-Pacífico foram encontrados nas proximidades de um vulcão submarino ativo na costa oeste do Canadá. A descoberta, feita em 2023, voltou a ganhar destaque internacional e deve ser detalhada em um próximo relatório científico do governo canadense.
“Tudo isso é inacreditável”, afirmou à imprensa a pesquisadora-chefe Cherisse Du Preez, do Departamento de Pescas e Oceanos do Canadá. “Isso desafia o que consideramos possível para a vida neste planeta.”
Os ovos foram encontrados em uma área considerada anteriormente fria demais para sustentar a vida marinha. A surpresa foi ainda maior ao se descobrir que o vulcão — até então tido como extinto — ainda está ativo e emite calor por meio de fontes hidrotermais, criando um ambiente propício à vida nas profundezas.
Berçário submarino
De acordo com Du Preez, os mergulhos científicos revelaram uma região geotermal repleta de ovos dourados, totalizando uma estimativa de 2,6 milhões de unidades. “Esses foram os primeiros mergulhos no vulcão. Ninguém sabia que ele estava ativo, muito menos que emitia calor”, disse. “E esse ponto geotermal aquecido estava coberto de ovos gigantes.”
A raia-branca-do-Pacífico é um parente distante dos tubarões, com aparência pálida e olhos protuberantes. Vive a profundidades de até três quilômetros, em regiões de extremo frio e escuridão. O calor emitido pelas fontes hidrotermais, no entanto, parece oferecer as condições ideais para a incubação de seus ovos, que podem levar até uma década para eclodir.
“O fundo do mar é frio, e o calor ajuda! Para gerar animais grandes e fortes, um pouco de calor é útil”, explicou a pesquisadora.
Um mundo oculto sob as ondas
O ambiente encontrado é considerado extremo: águas escuras, sob alta pressão e temperaturas que variam drasticamente devido à atividade geotérmica. Mesmo assim, formas de vida complexas não apenas sobrevivem, como também se reproduzem nesses locais.
Pela primeira vez, os cientistas conseguiram filmar uma fêmea colocando os ovos nas fendas quentes do fundo marinho. “É algo de outro mundo, mas, ao mesmo tempo, mais de 90% do espaço habitável do nosso planeta está no fundo do mar”, ressaltou Du Preez.
A pesquisadora compartilhou nas redes sociais imagens e vídeos da expedição, incluindo o momento em que um braço robótico recolhe um dos ovos — de coloração dourada intensa — para análise.
A descoberta reforça o potencial ainda inexplorado dos oceanos e abre novas possibilidades para o estudo de ecossistemas extremos. Para os cientistas, é mais uma prova de que a Terra ainda guarda mistérios surpreendentes — especialmente onde poucos humanos ousaram explorar.
