Brigadista morto cercado por incêndio florestal inspirou filho a seguir a mesma profissão
O brigadista José Almir de Macedo, que faleceu após ser cercado por fogo ao tentar conter um incêndio florestal em Uruçuí, no Sul do Piauí, deixou não apenas um legado como combatente, mas também a saudade no seio familiar. Ele inspirou o filho, Giovane Macedo, a seguir a mesma carreira do pai e se tornar brigadista.
Emocionado, Giovane conta que acompanhava José Almir desde que ele começou a atuar na brigada municipal de Uruçuí, oito anos atrás. O pai incentivava a curiosidade juvenil do filho, que se apaixonou pela profissão assim como o brigadista veterano.

“Eu perguntava ‘pai, o que é isso? Como é isso?’, e ele dizia que eu poderia tentar essa aventura quando chegasse a idade. Sempre tive a curiosidade de saber como era ser um herói por trás dessa capa invisível. Conheci e amei a profissão”, afirma o jovem.
Segundo Giovane, a brigada municipal era o “xodó” de José Almir, que sentia o dever de proteger a natureza. Além de brigadista, ele também trabalhava como mototaxista e era pastor de uma igreja evangélica em Uruçuí.
“Na semana que ele não estava na brigada, trabalhava como mototáxi. Meu pai é meu herói, meu melhor amigo. A melhor lembrança que terei é dele tomando café comigo, na minha casa, e perguntando pelo meu filho. Ele sempre tinha um bom conselho para dar”, ressalta.
Horas antes do incêndio
A dona de casa Aldeci Portugal, esposa de José Almir, relembra com pesar as últimas horas do marido com a família, antes de ele ser acionado para conter o incêndio florestal que tirou sua vida.
“Ele deixou eu e minha netinha aqui em casa, comprou carne assada e esperou eu fazer o almoço. Eu fiz, ele almoçou e foi a hora que ligaram avisando do fogo. Ele só trocou de roupa e saiu”, conta a dona de casa.
Para Aldeci, o marido era o provedor da casa, um homem trabalhador, apaixonado por seu emprego. Ela destacou a amizade com o brigadista Edinelson Maciel de Oliveira, que estava na brigada há quatro anos e tentou conter o incêndio ao lado de José Almir. Edinelson sofreu queimaduras severas e faleceu no hospital na terça-feira (24).
“Ele [José Almir] fazia o trabalho com prazer, muito alegre. Todos os brigadistas gostavam dele, só andava junto com o Edinelson. Temos boas lembranças dele. Essa perda acabou com a família”, lamenta Aldeci.
José Almir deixou a esposa e quatro filhos, incluindo Giovane. Edinelson também deixou a mulher e dois filhos.
