É considerado estável o quadro de saúde da criança de um ano e sete meses que foi raptada, violentada e abandonada num terreno baldio no último sábado (14). Segundo informações da direção do Hospital Regional do Sudeste do Pará, o menino está internado na UTI pediátrica, mas recuperava a consciência na tarde desta segunda-feira (16) e já respirava sem a ajuda de aparelhos. Apesar de apresentar considerável melhora, ainda não há previsão de alta e o hospital não entrou em detalhes acerca das lesões sofridas para proteger a integridade moral da criança.
O garotinho foi retirado das mãos de uma prima por volta das 15h30 de sábado, em via pública, na Folha 34. O sequestrador foi um homem num carro preto e armado que desapareceu em seguida. Por volta das 22 horas, a tia da criança recebeu ligação anônima informando que o menino estaria abandonado num matagal nos fundos da Faculdade Metropolitana, dentro de um saco plástico.
A Polícia Militar foi imediatamente acionada e a guarnição comandada pelo sargento PM Wellington começou a fazer buscas. “Aparentemente, havia só mato. Pegamos uma lanterna e começamos a procurar. Um soldado percebeu um caminho pisado no meio do mato. Seguimos o caminho e, mais em frente, perto de um pé de amora, achei o saco. Pensei que a criança estava morta”, comentou o sargento.
HORROR
O policial que atendeu à ocorrência informou que a cena que presenciou causou horror em toda a guarnição. Segundo ele, a criança estava apenas com a cabeça para fora do saco e apresentava hematomas muito grandes em toda a parte do corpo. “Ficamos naquela aflição com a certeza de que ele estava morto, mas, quando passei a luz da lanterna por ele, o corpo estremeceu. Ligamos imediatamente para o Corpo de Bombeiros e, com o canivete, começamos a livrá-lo do plástico em que o enrolaram”, disse o sargento.
Depois de abrir o saco, os policiais perceberam que a crueldade aplicada contra a criança não tinha limites. O menino estava com a boca amordaçada com fita adesiva e com as mãos e os pés amarrados. “Quem fez isso é uma pessoa muito cruel. Amordaçaram a boca, amarraram as mãozinhas e os pés. Bateram muito nele. Ele estava imóvel e quase não respirava”, destacou.
Preocupados com a demora da ambulância e em salvar o inocente, os policiais retiraram-no do matagal para o levarem ao hospital na viatura, mas no mesmo instante a ambulância chegou e o encaminhou ao Hospital Regional. No hospital, os policiais e familiares souberam que a situação era ainda pior. Além de os sequestradores terem espancado a criança, alguém ainda violentou sexualmente o bebê. “A médica constatou que ele estava com um trauma abdominal e foi aí que soubemos que ele foi violentado sexualmente. Como uma pessoa pega uma criança pequenininha daquelas e faz isso? A pessoa que fez isso não tem humanidade”, lamentou o sargento.
SUSPEITAS
Antes mesmo de a Polícia Civil entrar no caso, a Polícia Militar começou a levantar suspeitas a partir das impressões colhidas entre os familiares. A guarnição militar chegou a ouvir que o pai da criança, Vanderlei Machado da Silva, poderia estar envolvido com o tráfico de drogas e que o crime poderia ser retaliação ou vingança partida de outras pessoas. “A gente juntou algumas informações que soam estranhas. Além dessa história de envolvimento com tráfico, uma pessoa telefonou para a família informando onde estava o menino. Por que eles teriam o telefone de um familiar?”, questionou o policial. A família da criança desmente essa versão e diz que Vanderlei não tem envolvimento com atividades ilícitas.
Os policiais apuraram ainda que o pai do menino já teve rixa que é de conhecimento público com outro homem, mas essa pessoa atualmente está recolhida numa penitenciária. “Todo mundo achou estranha a forma como o pai do moleque está agindo. Ele estava muito tranquilo, parece que nem ligou, e foi isso que chamou nossa atenção. Os demais parentes se desesperaram quando viram o bebê daquele jeito, e o pai agia como se nada tivesse acontecido”, comentou o sargento, acrescentando que até os funcionários do hospital estranharam a calma do pai. “Estamos desconfiados de que alguém da família possa estar envolvido nisso”, finalizou.
Foto: Reprodução
Fonte: Luciana Marschall/CTOnline
Postador: surgiu.com (abr)