Ex-governador anuncia que em Palmas não concorda com a aliança do PMDB com Siqueira Campos, que ele diz ser espúria, garante que em 2014 estará na disputa pelo governo do Estado e prevê que as oposições vencem as eleições na maioria dos municípios este ano.
O ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) ainda não encontrou uma resposta plausível para a aliança de seu partido com o governo, em Palmas. Ele revela que as negociações foram feitas pelo presidente do partido, deputado federal Júnior Coimbra, sem que ele, que é vice-presidente, tivesse conhecimento, portanto, não tem nenhuma responsabilidade pela decisão. “Eu respeito a decisão do partido, mas não concordo e não estarei presente na campanha do deputado Marcelo Lelis,” avisa Miranda, que ainda estuda a possibilidade de subir no palanque de Luana Ribeiro (PR).
Marcelo Miranda diz que ainda não tem condições de avaliar o impacto desta decisão na eleição de Palmas, mas já sabe que a aproximação com o siqueirismo terá efeito negativo na imagem do PMDB, que segundo ele a população colocou na oposição. “Os partidos que compõem a base do governo são situação e os que não compõem são oposição. E eu sempre bati na tecla de que a população nos colocou na oposição, colocou o PMDB na oposição.” O ex-governador ressalta que o maior partido do Estado vive um momento preocupante que exige reflexão.
Marcelo Miranda garante que em 2014 estará na disputa pelo Executivo estadual, embora ainda sofra a perseguição do governo do Estado por meio de pressão sobre a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas para rejeitar as suas contas de 2009, mas acredita que no final vai prevalecer o senso de responsabilidade dos deputados. O ex-governador revela tem percorrido os municípios participando do processo político e se diz bastante estimulado com as manifestações de apoio que tem recebido.
Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção o ex-governador faz uma avaliação do desempenho do governo Siqueira Campos, aponta as razões do fracasso e revela que há certa insegurança dos investidores em função da paralisia do governo. Marcelo Miranda explica ainda as razões que levaram a ex-primeira-dama Dulce Miranda, um dos nomes de maior apelo popular, declinar dos convites para ser candidata a prefeita de Palmas.
O que aconteceu com o PMDB, que nestas eleições resolveu se juntar ao siqueirismo, tradicional adversário?
Se eu fosse rememorar a história do nosso partido desde quando eu me entendo por gente, quando meu pai foi deputado ainda pelo PSD, que virou MDB, depois PMDB, eu tive o privilégio também de participar, não do PSD, mas do MDB ainda muito pequeno e depois do PMDB já na minha adolescência. Eu tive o prazer de votar em Ulysses Guimarães para presidente da República. Depois, com a criação do Estado do Tocantins, eu tive o privilégio já no segundo ano da sua criação, nas eleições de 1990, me eleger deputado estadual pelo PMDB. Tive um mandato de deputado e no segundo mandato já não estava na agremiação por não concordar naquele momento com a decisão do partido. E me recordo bem quando o saudoso João Cruz, ex-prefeito (de Gurupi), ex-vice-governador, ex-deputado, homem de bem que sempre procurei respeitar, eu não concordava naquele momento com a decisão que o João Cruz estava tomando em relação à sucessão estadual. E digo, ontem eu estava rememorando tudo isso, não concordava e tomamos uma decisão de compor com o governador Siqueira Campos naquela época. Antes do meu segundo mandato, aproximadamente em 1995, entendia que nossa saída do partido fosse mais pela questão regional. Veio mais um mandato de deputado, o terceiro, e fomos convocados para ser candidato ao governo do Estado por uma agremiação (PFL), e em 2005 eu voltei ao PMDB a convite do partido, dos membros da executiva e do diretório e também da comunidade em geral dos municípios. Fizemos uma grande festa com nosso retorno, grandes líderes nacionais vieram aqui compartilhar conosco daquela festa, eu entendia que estava voltando para casa, para onde nasci, onde o partido que deixei tinha boas pessoas, líderes. Entendia que a minha volta naquele momento para mim seria muito bom, bom para o partido e para poder aumentar mais ainda aquela agremiação, com os companheiros que vieram conosco. E os resultados foram favoráveis, tanto é que fui reeleito governador pelo PMDB, fizemos um bom número de deputados e de prefeitos em todas essas eleições. Aconteceu o que aconteceu, o PMDB sempre procurando, tivemos divergências com o ex-presidente (do partido), e falo com muita franqueza, divergências que vieram de lá, não da minha parte, sempre procurei estar valorizando o partido e quem estava na direção. Houve uma renovação do diretório que culminou com a eleição do eminente deputado federal Júnior Coimbra. E participando ativamente das discussões fui eleito vice-presidente. Eu estou relatando isso para que possamos entender a importância do PMDB e das discordâncias que nós tivemos no passado e estamos tendo agora.
Mas o que explica esta decisão radical do PMDB sem precedente na história do Estado?
Nas discussões internas do partido comandadas pelo presidente Júnior Coimbra, e não só a executiva, mas todos os deputados e líderes, sempre batíamos na tecla do fortalecimento do partido. Eu não posso negar que o partido deu uma crescida, melhorou o seu quadro. Mas nessa eleição, nessa preparação, houve sim discordâncias, algumas decisões tomadas em vários municípios que deixaram a todos preocupados com algumas coligações. Democracia existe, mas tem limite. Partidos que compõem a base do governo são situação, e os que não compõe são oposição. E sempre bati na tecla de que a população nos colocou na oposição, colocou o PMDB na oposição. Mas não o PMDB irresponsável, e sim o PMDB que procura fazer as críticas construtivas. Os deputados têm batido nessa linha, procurado defender o que é melhor para o Estado e têm feito suas críticas construtivas.
Mas tem a questão regional, em alguns municípios tivemos muitas dificuldades para compor chapas, ter um candidato do partido. E eu tenho dito para esperarmos para ver as definições, quem é quem, por que houve município em que o cidadão era o candidato a prefeito e virou vice. Teve município que o PMDB seria prefeito, virou vice e acabou sendo nada. Foi para somar. Então o momento agora é da reflexão, saber onde nós acertamos e erramos, sem desmerecer ninguém, pelo contrário. O PMDB é um partido forte, mas, hoje mesmo, a deputada Josi Nunes nos ligou chamando para ver o que está acontecendo. Os blogs estão perguntando o que está acontecendo. Então nesse primeiro momento eu quero dizer que a nossa intenção é de fortalecer o nosso partido, evidente. Agora temos que abrir uma discussão mais ampla para ver onde erramos e onde acertamos.
Qual o reflexo desta da aliança de Palmas no contexto político do Estado?
Me preocupa muito. Como tenho a oportunidade de falar, eu quero deixar muito bem claro que o meu posicionamento sempre foi da candidatura própria com o deputado Eli Borges. Abraçamos a causa do deputado, desde o início. Em 2008 nós não o apoiamos, apoiamos a ex-prefeita Nilmar Ruiz, mas o deputado Eli sempre foi um homem de bem, íntegro, que vem se preparando para ser candidato a prefeito.
Todos sabem que sempre o nome da dona Dulce Miranda é lembrado, e eu fico muito feliz, sou um homem feliz de saber que minha mulher construiu junto com os companheiros um patrimônio dentro de Palmas, patrimônio familiar, patrimônio político. Mas há muito ainda por fazer, e nós sempre deixamos claro (a opção pela) candidatura do deputado Eli, e não fui só eu, todos os companheiros abraçaram a causa. O deputado Eli teve os problemas, encontrou algumas barreiras a sua candidatura, mas sempre perseverante. Nos anos passados, este ano da mesma forma, e eu sempre batendo na tecla, deputado Eli, o senhor é mesmo candidato? Então tem o nosso apoio e ele sempre disse que queria contar conosco. De uns quinze dias, surge a pré-candidatura do ex-governador Carlos Henrique Gaguim. Houve aí um alvoroço, o deputado Eli, sempre muito sensível, se surpreendeu, porque eu e ele estávamos em contato frequentemente. Partidário como ele é, como nós somos, mas sabíamos que teríamos alguns obstáculos a serem dirimidos, mas eu entendi que seria possível sim, mesmo com dificuldades econômicas, outras questões, mas tudo isso superado. Começava aquela história que a candidatura do deputado Eli não crescia, mas eu entendia que até aquele momento em que ele mantinha sua candidatura nós tínhamos de ajudá-lo e apoiá-lo. Surgiu a candidatura do ex-deputado e ex-governador Carlos Henrique Gaguim, tudo bem, o deputado Eli se sensibilizou também, ficamos esperando, de repente o ex-governador recua, ao recuar volta a brilhar a estrela do deputado Eli, isso em questão de 48 horas. Depois eu fui surpreendido, os deputados se reuniram, Júnior Coimbra, José Augusto com os eminentes candidatos a vereador, antes disso sentaram com vários partidos, para discutir uma aliança maior, mas com o deputado Eli candidato. De repente surge a novidade, que foi o encontro deles com o deputado Marcelo Lelis. Até então eu não sabia, depois fui comunicado desta reunião e participei de uma na casa do vereador Carlos Braga, onde juntamente com cinco pré-candidatos a vereador (estavam) o deputado Júnior Coimbra, o deputado José Augusto e o deputado Eli Borges, em que se abriu um canal para a definição. No outro dia me falaram que teriam fechado um entendimento com o Marcelo Lelis. No dia seguinte houve o fechamento da chapa e eu fui muito claro que não concordo e não participo, não vou subir no palanque, é decisão pessoal minha, por entender que eu estaria subindo, ainda que seja eleição municipal, mas eu estaria subindo no palanque de quem falava que não subiria em palanque nenhum onde tivesse adversários tradicionais. É uma questão deles, mas se compôs com o palanque do governo do Estado. O que houve em tese foi isso. Eu respeito a definição, respeito a decisão do partido, mas não concordo e não estarei presente na campanha do deputado Marcelo Lelis.
Com essa definição o sr. está próximo do palanque da deputada Luana Ribeiro, que se opõe a esse grupo, ou qual vai ser a sua posição?
Prefiro aguardar mais um pouco. Primeiro a gente precisa definir esse processo e saber como é que ficaram essas composições. Não nego que já recebi uma visita honrosa do senador João Ribeiro e da sua filha (Luana Ribeiro) candidata a prefeita. Não nego que já recebi ligações do senhor Carlos Amastha para que a gente pudesse conversar. E não só eles. Quero deixar bem claro que não tive nenhum contato com o governo, como mencionado em outro veículo, nem com o deputado Marcelo Lelis, o que tivemos foi uma conversa cordial, de uma ligação com outro deputado que passou o telefone a ele, para que eu pudesse cumprimentá-lo e assim eu fiz. Conversamos com o deputado sargento Aragão, o deputado Wanderlei Barbosa, com o professor Alan Barbiero, que hoje é candidato a vice. Conversamos com o deputado federal Agnolin, com a Edna Agnolin já vínhamos falando antes, com todos os pré-candidatos. Eu falo isso até surpreso, porque todos falaram comigo Fábio (Ribeiro), do PTdoB, Adail (Gama, do PSDC) e mais alguns. Então eu quero deixar bem claro, que hoje, graças a Deus, eu tenho um grupo de amigos e companheiros e isso vai servir para os deputados também. Os deputados do PMDB têm uma importância nesse processo, como os demais deputados, são decisões municipais. Mas eu pessoalmente entendo que nós fomos eleitos pra ficar na oposição, mas não temos o direito de cercear a oportunidade de ninguém. Agora o Marcelo Miranda está se posicionando. Primeiro eu não vou para um palanque onde tem um cidadão que entrou com um processo para me cassar. Eu não tenho nada contra o deputado Ronaldo Dimas, mas eu seria incoerente de ir para o palanque dele, tanto é que defini minha posição em Araguaína, fui para a convenção da Valderez Castelo Branco (PP), o deputado e presidente Júnior Coimbra deixou bem claro que estava liberado para se coligar com qualquer partido, consequentemente ele está liberando também as pessoas, então isso eu conversei com o próprio presidente do partido. Como eu compreendi a decisão tomada, eu também quero que eles entendam, e estão entendendo o meu posicionamento, eu sou um torcedor do Estado, mas jamais vou compor com o governo Siqueira.
Em 2014 o sr. estará elegível, terá condições de disputar o governo do Estado?
Em 2014 eu tenho absoluta certeza, falo de sã consciência, que a Assembleia Legislativa não será empecilho para nossos projetos. Me refiro às nossas contas, de 2009, rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado, solicitadas que fossem também desmembradas, coisa inédita no País. Nós estamos em 2012, as contas de 2009 ainda não foram apreciadas. Eu sempre digo para a imprensa, porque que até hoje o Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa não aprovaram ou rejeitaram as contas do Marcelo Miranda? E agora juntamente com o (Carlos Henrique) Gaguim, porque foram dois governadores em um ano só, então o balanço é de um ano só. Pelo regimento interno do Tribunal são 60 dias, isso em 2009, as contas de 2008 foram aprovadas em 2010. Nós estamos com três anos em uma matéria que já foi rejeitada. Agora querem desvendar (o eminente relator líder do governo) deputado que eu respeito muito, Osires Damaso. O Tribunal de Contas negou o desmembramento das contas. O relator encaminha novamente para pedir que o Tribunal tome a decisão também, a Assembleia é que vota, não é técnico. E a Assembleia Legislativa já teve meses e anos para estudar esta matéria e analisar os detalhes, os deputados estão conscientes do que está lá. As contas de 2008 foram rejeitadas, os deputados reconheceram o erro do Tribunal de Contas. 2009 eu tenho a absoluta certeza que a Assembleia também vai reconhecer porque o Tribunal de Contas rejeitou. É porque se fala muito e aqui eu quero destacar, não sendo injusto com o Poder Legislativo, a Assembleia Legislativa, da qual eu fui presidente, e por 12 anos deputado, tem um papel estratégico na defesa dos interesses maiores do Estado. Tentam em todos os cantos dizer que vão ser rejeitadas as contas de 2009, de Marcelo Miranda e Gaguim, mas confio na consciência dos deputados.
É uma retaliação política?
Se tiver esse pensamento de retaliação política, eu tenho a absoluta certeza que isso não faz parte da consciência dos deputados. Todos os deputados têm a sua história fincada nesse Estado. São 24 homens e mulheres de bem, eu tenho certeza, pessoas íntegras. Homens que foram designados para aquela casa pelo voto popular e saberão conduzir este processo com a responsabilidade que precisa. Agora querer tirar o direito de um cidadão ou cidadã por perseguições política, eu não estou enxergando isso. E nem quero enxergar isso. Por que eu converso com os parlamentares e todos estão realmente querendo ver essas contas já na Assembleia, para sacramentar depende exclusivamente do presidente da Casa, e que ele coloque em votação. Como eu já fiz vários pedidos, coloque em votação! O Tribunal de Contas, na pessoa do seu presidente, tome uma decisão para que não fique essa questão, rejeita, não rejeita. Desmembra ou não desmembra. Porque é por isso que eu estou respondendo a sua questão. Tenho certeza que o Marcelo Miranda vai estar em 2014 caminhando nesse Estado. Não em 2014, já comecei a caminhar, e tenho a absoluta certeza que as coisas vão acontecer de forma muito clara, muito transparente. A população é sábia, sabe o que fizeram comigo. E a população saberá retribuir às pessoas que querem o bem desse Estado. Não digo apenas com o Marcelo Miranda.
Que avaliação o sr. faz do desempenho do governo, que depois de um ano e seis meses não apresentou o resultado que justifique a eleição. Pelo menos não alcançou as expectativas da sociedade, o que está acontecendo com o governo?
Primeiramente, eu acho que o governo até agora só partiu para acusar os ex-gestores. Quando fala ex-gestores é o Gaguim, eu, o (atual governador) e Moisés Avelino. Por que eleitos foram nós, eleitos pelo povo e o Gaguim pela Assembleia Legislativa, por questões que todos já conhecem. Eu sou torcedor do Estado, mas eu tenho andado pelo interior e tenho visto a insatisfação. Não é como eu gostaria de ver o Estado. Porque na minha época sempre criticaram e as algumas das críticas dirigidas diziam que eu estava cometendo imprudências.
Acho que o governo do Estado está cometendo absurdos, veja o caos que está a saúde. O que até agora foi feito para resolver o problema da saúde?
Não vamos maquiar a saúde não, é desafiador para qualquer governante. Eu sei das dificuldades que o atual gestor está tendo, mas que assuma a posição que não está dando conta de resolver o problema da saúde. Que procure resolver e não acuse ex-gestores. O atual diretor do hospital, o atual secretário de Saúde, os quais merecem o meu respeito, o Dr. Nicolau é um médico, um empresário bem-sucedido. Foi diretor de uma instituição onde o curso de medicina é um dos melhores cursos do Estado. Ele sabe a profundidade que é uma parceria e a importância de uma parceria. Olha quem é o diretor-geral do HGP, doutor Paulo Faria, homem de bem, íntegro, que foi diretor do hospital no meu governo, mas na minha gestão diziam que a saúde era ruim, que os diretores eram ruins, e olha quem é o diretor hoje. Um excelente profissional, mas está tendo dificuldade.
Olha a segurança pública, os setores da infraestrutura desse Estado. Quem anda nesse Estado está vendo as rodovias mal conservadas, acidentes e mais acidentes, mas nós não queremos isso, nós queremos que o atual governador governe. E que ele seja um governador de fato e de direito. Agora não venha querer acusar ninguém, não venha querer destratar famílias, como já me destratou, quando uma jornalista perguntou a ele sobre a questão do Marcelo Miranda e ele respondeu “vai perguntar o capeta”. Não governador, eu sou um homem de bem, um pai de família como o senhor é pai e avô. Nós trabalhamos juntos e sempre nos respeitamos, mas eu torço pelo governo, porque nós temos que ver esse Estado crescendo, gerando mais emprego e renda para a população. Atraindo investidores, eu tenho tido a oportunidade de conversar com vários que estão receosos. Todos querem ver essa Ferrovia Norte-Sul de vento em popa, ver a nossa ferrovia, os nossos transportes multimodais prontos, e saber que o governo federal, independentemente da cor partidária, está colaborando em parcerias com o Estado.
Que os nossos parlamentares na esfera federal continue defendendo o Estado, é isso que nós requeremos. E não ficar dizendo que vai fazer isso e fazer aquilo e culpar os ex-gestores, não. Vocês não me viram culpando quando fui governador, culpando ninguém. A população me colocou lá e a minha obrigação era dirigir o Estado e não culpar os gestores anteriores. E quando eu fui reeleito governador, como é que eu ia culpar alguém? Eu ia culpar o meu próprio governo? Então nós trabalhamos dessa forma. Agora para com isso, mantenha o respeito, são ex-governadores, são pessoas em quem a população confiou, e se algo aconteceu comigo e me incomodou, porque hoje os companheiros estão aí a perguntar e eu ouço isso demais pelo Estado. O senhor tem que voltar, e eu estou voltando, estou voltando sim. Para conversar com os companheiros, para ouvir sugestões, pensando no presente para ver o que vamos fazer no futuro. Nós queremos um Estado melhor, próspero, que venha ao encontro dos anseios da sociedade. A esses que chegam de fora para investir no nosso Estado, que confiem nos gestores que estão à frente do governo.
Onde o governo está errando e onde está acertando?
O erro do governo está em não acreditar que é possível governar de forma mais clara e transparente; é não acreditar que as pessoas que estão do seu lado merecem também ser ouvidas. Já foi o tempo do eu, agora nós estamos no tempo do nós. Nós todos temos condições de ajudar o Estado a crescer. Falta isso, falta uma visão mais clara, mais transparente, mais projetos. E eu tenho certeza que vão buscar e que venham realmente de concreto, nós sabemos que tudo é em longo prazo e eu sou consciente disso, mas, por favor, nós já estamos em 2012 e não vamos bem. Nós queremos isso e que os poderes constituintes entendam a importância das parcerias e não do desconforto, e não do titular que é só eu, eu, eu, nós podemos trabalhar em prol desse Estado.
Faltou humildade do governo para dar continuidade aos projetos que vinham dando certo e que foram desativados? Por que mudar o que vinha dando certo?
Eu deixei o governo no dia 9 de setembro de 2009 e nós estamos em 3 de julho de 2012. Depois de mim teve o meu sucessor, o Gaguim, que ficou pouco mais de um ano. Como eu fiquei feliz em ver os números. Se o PIB cresceu, e eu ainda ouvi de um adversário político que no governo anterior a mim é que se deu o crescimento. Puxa, para com isso. Quando eu distribuí os óculos, as pessoas estavam precisando enxergar, entendiam que precisavam enxergar, ter vida, para ver o Estado crescer, e cresceu sim no nosso governo. Veja os empreendimentos, veja o que chegou ao Estado para que o PIB crescesse tanto, mais de 7% acima da média nacional. Maravilha, que se desse continuidade. Agora, dizer que o Estado não cresceu? Os bons projetos que tinham no governo anterior a mim eu dei continuidade. Agora vimos o contrário, o que foi feito até agora para que a gente pudesse ver os números favoráveis? O que foi feito? Mas eu volto a reafirmar, eu ainda torço pelo Estado e para o governo dar certo.
Vários setores da sociedade cobram mudança no modelo de desenvolvimento do Tocantins, baseado no assistencialismo do poder público, que ainda é o grande empregador. O sr. vê alguma possibilidade de ruptura com esse processo tradicional a partir de renovação política que parece inevitável?
Entendo e volto mais uma vez a falar, o surgimento de novas lideranças é fundamental para uma mudança maior no contexto do modelo de desenvolvimento do Estado. Não justifica que seja só no plano político, mas em qualquer setor e segmentos organizados da sociedade. E você vê algumas mudanças hoje em alguns setores. Geração para geração, passando de pai para filho, de avô, de tio ou o que for, mas você está vendo isso. Os setores dando oportunidades e na área política também precisa se dar mais oportunidades. Mas também a quem queira ter oportunidade, nós não vamos buscar pessoas que não querem ter compromissos. Isso é fato. O modelo político que está aí hoje, eu acho que tem o momento de entrar e o momento de sair. Escutei em 2002 dois senadores da República, o finado Ramez Tebet, de Mato Grosso do Sul, e Bernardo Cabral, do Amazonas, ele dizia, e isso nunca saiu da minha cabeça, nós temos a hora de entrar, e hora de sair. Ramez Tebet se reelegeu, o Bernando Cabral não, questão dos seus Estados. Aí quando eu falo, nós temos que trabalhar um projeto novo, é o que nós estamos precisando ouvir, presenciar e ver, alguém apresentar novos projetos. Tanto na área política, porque hoje se você sair no comércio os comerciantes estão temerosos. Os empresários estão temerosos. Todos os segmentos estão temerosos, preocupados, não dormem mais. Por quê? Porque o governo até esse momento não mostrou algo novo, com aquela política um pouco ainda passada, ultrapassada. Qual é o planejamento hoje do Estado? Qual o orçamento do Estado? Se discute até hoje a questão do orçamento, a demora que foi, porque demorou, porque as entidades de classe hoje estão discutindo mais com os governos. No nosso governo se sentava à mesa e discutia, e as instituições se sentavam à mesa e discutiam. E as instituições hoje não têm mais receio de sentar á mesa e discutir. Então nós temos que viver um projeto novo. O governo que está aí é comandado por um senhor que tem a sua experiência, a sua história fincada, que ninguém tira. Agora os que passaram procuraram fazer a sua história também, na forma daquele momento, tentando inovar e renovar a política em todos os segmentos. Tivemos falhas? Sim, mas procuramos inovar. E veja hoje em qualquer setor nesse Estado, há lideranças novas. Mas quando falo novo, não quer dizer eu com 50 anos, outro com 40. Ou mesmo com 70 ou 80, mas que tenha compromisso, que possa realmente ouvir e entender que nosso Estado tem passado por várias mudanças.
Por que o nome da dona Dulce Miranda, que era o mais cotado no PMDB, terminou não vingando como candidata? Houve restrição do sr.?
Ela jamais teria restrição do seu esposo. Ele é minha mulher, mãe dos meus filhos, e nós vamos completar 23 anos de casados no dia 8. Eu sou suspeito de falar da dona Dulce. Eu entendo que nós tivemos durante esses anos todos uma participação coletiva, com todos os companheiros. Eu tive oportunidade de lançar a dona Dulce deputada, mas não, eu era governador, ela estava lá como primeira-dama, procurou fazer esse trabalho que hoje, o que ela plantou em um passado bem próximo, está colhendo. E o nome dela foi sim ventilado várias vezes como candidata a prefeita, pelos companheiros, pela comunidade em vários setores. Mas nós entendemos que o momento não era apropriado para isso. Se já tínhamos um candidato a prefeito, o deputado Eli Borges, porque teríamos que mudar esse quadro? Caberia ao deputado Eli Borges dizer se era ou não candidato. Mas nós não iríamos para uma campanha sem ter preparado o plano de governo, trabalhado um projeto novo, não adianta. Eu já governei o Estado, já participei de várias eleições, já discuti com vários segmentos, tanto no país quanto fora. Nós sabemos da importância que é hoje uma eleição, mas a dona Dulce estaria preparada e está preparada sim para qualquer embate. Digo isso até tirando um pouco o lado esposo, dona Dulce está preparada para qualquer embate, mas o momento era do deputado Eli Borges.
Foto: Edilson Pelikano
Fonte: Jornal Opção
Postador: surgiu.com (abr)