O Skype, software de comunicação por voz via internet, já aplacou a saudade de casais que namoram a distância e de mães e pais que vivem longe de seus filhos. Todos são gratos ao sueco Niklas Zennström, de 46 anos, por ter criado, em 2003, o sistema que permite falar via internet sem pagar nada.
O programa não só atraiu muitos usuários — hoje, são 200 milhões por mês — como chamou a atenção de gigantes da tecnologia. Em 2005, o site de leilões eBay pagou quase 3 bilhões de dólares pelo Skype. Acabou deixando o software de lado, o que levou Zennström a recomprar a companhia em 2009 pelo mesmo preço que vendeu.
Mais dois anos foram necessários para o sueco concretizar um dos maiores negócios da internet: um acordo de venda de 9 bilhões de dólares com a Microsoft em maio de 2011.
O Skype não foi o primeiro empreendimento de sucesso criado por Zennström. Antes, em 2000, ele já havia lançado o KaZaA, serviço de compartilhamento de música. O programa chegou a responder por metade da audiência da internet no mundo. Problemas com direitos autorais levaram o sueco a vendê-lo por 600 000 dólares em 2002, uma ninharia perto do que viria depois.
A fama e os bilhões que Zennström conquistou com a venda de suas empresas permitiram-lhe revelar outra habilidade: a de investidor. À frente do fundo de capital de risco Atomico, fundado em 2006, ele colocou dinheiro em negócios online de sucesso, como a rede social de música Last.fm e o aplicativo Angry Birds, jogo para smartphones mais popular do mundo.
Agora, um dos focos de Zennström está em empresas de comércio social, com serviços que permitem aos usuários de redes sociais comprar ou vender produtos sem sair de seu perfil. O faro para negócios do sueco o trouxe para o Brasil — o país tem 90 milhões de internautas, 80% deles dentro de sites como Facebook, Twitter e Orkut.
Zennström chega ao país na segunda quinzena de maio para lançar a empresa sueca Wrapp, especializada em vale-presentes vendidos via redes sociais. A startup recebeu investimento do Atomico em novembro do ano passado. Desde então, 200 000 pessoas deram 1,5 milhão de vale-presentes virtuais.
Em 2012, a Wrapp iniciou sua expansão internacional e começou a operar na Inglaterra e no Japão. Segundo Zennström, a empresa tem um perfil que se encaixa nas principais tendências da internet: mobilidade, redes sociais e comércio eletrônico. “A estratégia não é olhar uma área da moda, e sim procurar empresas que se encaixam nessas tendências”, afirmou Zennström a EXAME.
Diversão e compras?
A varejista Magazine Luiza já demonstrou o potencial do comércio social no Brasil. A empresa criou em 2011 um tipo de franquia virtual, acessível a internautas que queiram vender produtos da companhia por meio de seu perfil no Facebook. A meta era conquistar 10 000 divulgadores durante o primeiro ano.
Foto: Johannes Simon/Getty
Fonte: Exame
Postador: Bruno Araújo