Ainda não era meio dia quando parte da cidade de Paraíso do Tocantins foi surpreendida por rajadas de fogos de artifícios. Todos que ouviram se perguntaram na hora: “Já começou a campanha política deste ano?”
Oficialmente não, mas a queima de fogos deu toda conotação que sim. Afinal o show pirotécnico foi protagonizado por um dos candidatos a prefeito desta cidade e não era pra menos tamanho o alvoroço em torno deste fato “histórico”: A “inauguração” do SAMU em Paraíso do Tocantins.
Mas, antes de falar desta “inauguração” faz-se necessário dizer que na noite anterior, o prefeito candidato, como não fizera nos três anos anteriores, “convocou” todos os funcionários do município para comemorarem o seu aniversário no clube mais “chic” da cidade, o Solar Acqua Park, afinal é ano de eleição e nada melhor que o Administrador ficar de bem com o funcionalismo público.
Seria uma festa e tanta se os amigos, pais, mães, filhos, enteados e a prima do Cabo não fossem barrados no baile. O “convite” foi sucinto e grosso: “Nada de goteira”. Coitada daquela funcionária mãe de filho de colo que teve que voltar mais cedo para dar de mamar ao seu bebê, por que este também foi barrado.
Muitos que eu encontrei depois da festa, disseram: “Fui por obrigação”. Interessante esta de ir à festa por obrigação. Mas, foi assim mesmo, por que na portaria só faltou o livro de presença.
Ano de eleição é assim: Secretário vira cabo eleitoral. Servidor vira distribuidor de santinho. Os mais afoitos vão para a turma do gargarejo bater palmas no pé do palanque e outros viram até segurança. Tudo por “obrigação”.
Nestas festas todas os que ainda esboçam alguma reação contrária são os concursados mais veteranos, mesmo temendo represálias futuras. Mas, os “contratados” aplaudem, gritam, assoviam, bajulam tudo para não largarem as tetas da “viúva”. E como tem desses abnegados no paço municipal!
Tem deles, tão afoitos, que já adesiva pára-brisas de carro com seu nome e antecipa o carnaval distribuindo centenas de camisetas de um suposto bloco carnavalesco, que sequer existe, mas que ela dão a nítida conotação de uma pré-candidatura a qualquer cargo nas eleições de outubro.
Enquanto isso os palanques são montados nas grandes salas, onde os discursos adoçados de boas intenções não condizem com o que os servidores vêem na prática, como redução de carga horária, transferência por perseguição e funcionário concursado tendo que responder a processo administrativo, por que não lêem na cartilha do patrão.
A falta de diálogo do gestor com o funcionário é tão gritante que eles já não aceitam conversar com os subordinados do chefe, até por que estes não têm o poder de decisão.
A situação do gestor foi exposta durante todo o ano de 2011, quando movimentos grevistas do Quadro Geral, da Saúde e da Educação foi uma constante para conseguir no final algumas adequações nos PCCRs.
As greves dos servidores somadas ao enforcamento da CPI da Folia reduziram não só o índice de aprovação do gestor como o número de Vereadores na sua base de sustentação na Câmara Municipal. Na “inauguração” do SAMU o gestor, como num “Grito de Independência ou Morte,” ainda elogiou os dois únicos vereadores que o apóiam. A Câmara de Paraíso tem nove vereadores.
Nesta data de fogos de artifícios, antes de eles estourarem, populares se acotovelavam ao pé do muro do Posto de Saúde do SESP desde as 03hs00 da manhã para marcar uma consulta na portaria que só abriu às 07hs00. Aquele povo na fila não poupava “elogios” ao sistema municipal de saúde. Por sorte nenhum deles caiu por ali mesmo e não foi preciso que alguém ligasse para o telefone 192 do SAMU, que foi “inaugurado” ainda nesta manhã.
Na festa do SAMU o gestor fez de tudo para justificar sua administração. Apresentou números com milhares, centenas e dezenas, sem esquecer-se dos pontos e das vírgulas de contas e mais contas deixadas por seus antecessores desde 1989. Aproveitou a ocasião para falar mais uma vez uma frase que já se tornou célebre em seus pronunciamentos: “Na minha administração eu não roubo e não deixo roubar”. Só faltou dizer que: “Eu não faço e não deixo fazer”. Estou falando de obras, pois até as que foram iniciadas estão paradas há meses.
O povo de Paraíso, tão acostumado a ver descerrar placas de inauguração de obras tem que se contentar em ver banners nos postes de “Asfalto levado a sério”, enquanto buracos estão morrendo afogado com a boca para cima.
Mas, voltando à festa e aos fogos de artifícios, a unidade móvel do SAMU, amoitada na garagem da prefeitura por quase três anos, onde parte do equipamento interno, dizem, foi danificada por falta de uso e outros sumiram não se sabe pra onde, estava bem na hora dela sair da toca e servir à população, sem fazer dela um palanque político, mas, um bem coletivo, caro e necessário para uma saúde que precisa andar, nem que seja em uma UTI móvel na busca de socorro para nossa gente sofrida.
Para o cidadão comum ficou mais fácil. É só ligar 192 que ao invés de fogos de artifícios ele vai ouvir a sirene do SAMU.
Dia 23 de Outubro, no aniversário da cidade tenho certeza que desta vez ela será aplaudida.
Graças a Deus!
Foto: surgiu.com
Fonte: Por Ademir Rêgo
Postador: surgiu.com (abr)