Mamãe, quero ser diferente.
“Eu sonho em sair de casa”. “Eu em ser médica”. “Eu sou diferente de todas essas outras”. “Ninguém mais tem cultura”. “Olha essas piriguetes”. “Eu ainda saio dessa penca de cidade que é Paraíso”. “Meu filho, essa menina aqui com quem você está falando é diferente”. “Eu não procuro meninos, eu procuro homens.”
Tantas palavras e opiniões que dão nojo. Hoje a vontade de ser uma pessoa ‘sábia’ e ‘diferente’ está tão banalizada que perdeu-se até mesmo o sentido do que é sabedoria e inteligência.
(Meu pai em uma manhã de domingo bancando o chef de gastronomia).
Parece que conter um toque de loucura e depressão torna as pessoas mais ‘cools’. Como se uma pessoa falasse da própria miséria a deixasse mais legal.
A prova disto é o próprio Facebook, onde falar que é houve uma bomba de um ‘experts’ em paixão, religião e depressão. Como se em alguma dessas chuvas que caiu no Brasil tivesse contido algum elixir da sabedoria e opinião crítica.
Só que muitos não percebem que, ter uma personalidade própria e tentar ser diferente do comum, é uma atitude totalmente comum!
Então, você se acha diferente? Sabe o que eu acho: báh com sua diferença. Tu fazes as mesmas merdas que todo adolescente que se acha faz. Adolescentes que pensam que já é maduro e entende das coisas.
Menininhos que só querem ficar com menininhas que querem ser ‘pegadas’ por homens; Criancinhas que querem experimentar uma pitada das histórias que as primas ou amigas mais velhas contaram em uma reuniãozinha em que as conversas pareceram ser ‘super-adultas’.
A maior consequência disto é que qualquer atuação fora do roteiro que essas ‘miniaturas’ de adultos imaginaram, faz com que sua – insignificante – paciência trasborde. Como se qualquer coisa atingisse seus valiosos sonhos de juventude e destruísse seu futuro.
O fato é que só se sonham coisas que parecem legais, que parecem de gente grande. Como se sonhar com algo ilusório fosse trazer um sentimento intenso e quase permanente de alegria.
Talvez um dos rumos para a sabedoria seja encontrar esse equilíbrio. Saber escolher os próprios sonhos, objetivos, desejos. Saber filtrar o que se deve absolver ou o que se deve ignorar.
Um dia, uma personagem de desenho animado disse ao seu marido desesperado uma coisa interessante:
“Quando o maior sonho de um homem é repetir a sobremesa, receber abraços ocasionais e acordar tarde no domingo, ninguém conseguirá destruí-lo”.
Por incrível que pareça, eu encontrei sabedoria na frase da Margie Simpson e vi com meus próprios olhos nesta manhã de domingo, onde a família aqui em casa se reuniu para fazer uma lasanha. Onde os risos que tanto brotaram nos resmungos e rosnados dele quando alguém chegava perto do fogão, quando meu irmão comera às escondidas pedaços de azeitona, quando conseguimos ver e sentir a alegria em coisas tão cotidianas.
Compreendendo que a construção da felicidade seja manter e estar sempre com a autoestima alta, podemos supor que a ponte que liga à felicidade, à tranquilidade, ao bem estar não esteja fechado a coisas como ser mimado pela fama ou ter um grande histórico de parceiras de festas noturnas, e sim ligado à ideia que, no exemplo citado por um personagem de desenho animado, tenta mostrar: a alegria não está em desfrutar de coisas que nos tiram da rotina, e sim, desfrutar de coisas da nossa rotina, mas de forma totalmente diferente, gostosa, saborosa… alegre.
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Foto: Paulo Henrique Lima
Fonte: http://paulohenriquelima.tumblr.com/post/15522669862/mamae-quero-ser-diferente
Postador: Paulo Henrique Lima