O jogo de um time só
Postada em: 18/12/2011 ás 16:32:49                   Link:
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Neste sábado, 17 de dezembro de 2.011, fui dormir já nas primeiras horas de domingo, pensando em acordar cedo, mesmo como palmeirense convicto, vestir a camisa do Santos para engrossar a torcida do Peixe.

Confesso que pela primeira vez na vida, a decisão de um Torneio de Futebol sem a presença de um time para o qual eu torça, me fez ter insônias e por duas vezes na madrugada acordei e imediatamente me fez procurar o canto do galo para saber da hora e ligar a TV.

Estava ansioso, mas tão ansioso para ver em campo as duas equipes que têm encantando o mundo neste ano de 2.011: Barcelona e Santos, Messi e Neymar. Afinal, nos últimos meses não se falava noutra coisa nas rodadas de futebol.

No Barcelona, cantado em prosa e versos como o melhor time do Mundo, seu elenco mais parece uma constelação de estrelas indo do goleiro ao ponta esquerda, se é que ainda existe esta posição no futebol mundial e ficou mais explícita ainda no Barcelona onde o time não tem um nem dois e nem três atacantes, todo mundo vira atacante no toque envolvente de seus jogadores.

Pelo lado do Santos, apostamos muito na dupla de ataque com Borges e Neymar e na genialidade de Paulo Henrique Ganso. Não vimos nenhum dos três e a vaca foi pro brejo com a corda no pescoço.

O jogo tinha tudo para ser o maior espetáculo da terra. Dois times com os três maiores jogadores do Mundo disputando a Bola da FIFA. Pelo Barça, Messi e Xavi e pelo Santos o garoto Neymar. E deu a lógica: Messi foi o Bola de Ouro e Neymar, o terceiro. Deu o óbvio por que o Santos contribuiu pra isso.

As apostas foram feitas. O juiz apitou o início do jogo e eu “santista” procurava a todo instante o “meu” time em campo. Só via camisas listradas na vertical fazendo do toque de bola envolvente os acordes de uma orquestra bem afinada tocando o Guarany, de Carlos Gomes, foi exatamente isto que me veio na mente durante o jogo.

Enquanto o Barcelona envolvia o Santos, com passes quase sempre certos, passagens ensaiadas e ultrapassagens fulminantes, do outro lado eu via a zaga do Peixe parecendo cerca de arame liso, com postes pintados de branco, não em linha burra, mas, em linha medrosa esperando ser costurada no um - dois com tanta facilidade, que eles mais pareciam assistentes que combatentes.

No meio de campo do Santos não brilhou a estrela do Ganso e o Neymar, coitado, pouco apareceu e foi marcado facilmente pelos defensores do Barça, pois a bola não chegava redonda aos seus pés.

A facilidade com que o time do Barcelona envolvia o meio de campo e o ataque do Santos, me deu uma saudade danada do Minelli, quando ele no Internacional de Porto Alegre tinha um jogador chamado Caçapava, e, nos vestiários ele falava ao ouvido desse “cabeça de área” e dizia: “fulano” é o termômetro do time. “Ele é seu”. Caçapava podia até não jogar bem, mas, o adversário não pegava na bola.

Nesta partida da final do Mundial de Clubes, pelo que eu vi, o Caçapava seria capaz de fazer desaparecer até o número 10 da camisa do Messi, mas, era importante ter neste jogo, também, um Dunga e um Amaral, que jamais se abatiam com o primeiro ou o segundo drible, por que no terceiro um dos dois ficava com eles: a bola ou o jogador. Assistir jogo só é bom da arquibancada ou do sofá de casa. E isto o Santos fez dentro das quatro linhas.

Quem viu o time do Santos jogar nesta manhã de domingo, foi o mesmo que ver o IBIS, de Recife, como apareceu nos sites também de hoje, lutando para continuar sendo o pior time do Mundo.

Os números não me deixam mentir. A posse de bola do Barcelona chegou a 76% contra 24% do Santos. 4 a 0 foi pouco para quem viajou tanto para ver o outro time jogar.

Respeitar um jogador adversário até é compreensível, tentar anulá-lo é o recomendável, agora respeitar um time todo com marcação à distância não dá para engolir.

Respeito de jogador para jogador eu só vi demonstrado em campo uma vez. Foi num jogo entre Flamengo e Palmeiras, na inauguração do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, quando Zico e Ademir da Guia exibiram classe no meio de campo e se mantiveram distantes um do outro, em sinal de respeito. Naquele dia, das arquibancadas do Estádio eu vi dois gênios da bola agradando a todas as torcidas.

No jogo deste domingo, todos viram um time só jogando e o outro assistindo. Assim não dá para mudar de camisa de vez em quando para torcer por um time que não seja o da gente.

Depois do jogo de hoje, onde os jogadores do Santos só faltaram pedir autógrafo em campo pra o jogador adversário é bom repensar na idéia de que nem sempre o time que joga bonito levanta o caneco, como exemplo a nossa Seleção de 1.982, de Telê Santana. Às vezes jogar feio e procurar o gol e deixar o adversário preocupado com a gente podem dar a vitória ao nosso time, mesmo que ele seja tecnicamente inferior.

O que não se pode é ter medo de ser ousado. Acreditar que tudo é possível quando se luta.

Infelizmente não foi isto que se viu nesta partida onde o time do Santos assistiu o Barcelona jogar e só faltou bater palmas em campo.

A goleada foi o de menos.

PSO. 18.12.2011



Foto: lancenet.com.br           Fonte: Por Ademir Rêgo - Da Redação do SURGIU           Postador: surgiu.com (abr)


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Recados:1
De: José Augusto Almeida
Mensagem: A espanha fez do futebol,o que,os americanos fizeram com o basquete. Dream Team
Mas na verdade,o Santos jogou contra o resto do mundo.O BARSA é um mosáico de jogadores de várias nacionalidades..la tem Argentinos,um chileno,holandeses e até brasileiro.....imagine um Barsa genuínamente Espanhol.Teria ele o mesmo desempenho?
Data: 18/12/2011 às 18:30:06