Neste domingo, dia 10 de Dezembro, os eleitores do Estado do Pará serão submetidos ao plebiscito para a divisão do Estado ou não.
A criação de mais dois Estados movimentará os eleitores paraenses na busca de seus interesses sócios econômicos pelo desmembramento e, por conseguinte, fugirem do isolamento e do saque de seus recursos.
O Estado do Pará só perde para o Estado do Amazonas em sua extensão territorial. São nada mais do que 1.247.950 km² divididos em 143 municípios o que se comparado ao Estado do Tocantins que tem apenas 277.620 km² e 139 municípios, quatro a menos que o Pará pode se falar que ele, sim, é um verdadeiro continente.
Hoje o Pará tem 143 Municípios, muito deles com grandes extensões territoriais, milhares de dificuldades e carentes de tudo. Exemplos de Municípios do Sul do Pará e que alguns deles são riquíssimos na pecuária, mas, está a mais de 1.000 km da Capital e seu povo pena por saúde, estradas, educação, segurança e por que não dizer, aconchego e que buscam nos Estados vizinhos como Maranhão e Tocantins a solução de seus problemas.
Outro dia estava eu no Posto de Saúde Norte da Capital Palmas – TO, quando chegou uma ambulância trazendo doentes da cidade de Parauapebas – PA, no que eu intrigado com aquela cena me dirigi ao motorista do veículo para indagá-lo do por que dessa viagem de tão longe para um tratamento de saúde, no que ele me respondeu que eram 12 ambulâncias do seu Município que faziam este percurso diariamente, sendo seis indo e seis voltando, por que lá não tinha atenção de saúde.
Este é apenas um pequeno exemplo que pode ser citado como caso de abandono das autoridades.
Assim era o Estado do Tocantins antes do seu desmembramento, onde além da BR-153 asfaltada pelo Governo Federal existiam apenas os pequenos trechos asfaltados pelo Governo de Goiás, a saber: BR-153 a Formoso do Araguaia, Fàtima à Porto Nacional, Pugmil à Pium, Miranorte à Miracema, Guaraí à Colmeia, Araguína à Aragominas e Aguiranópolis à Tocantinópolis, no mais era buraco e lama por onde se trafegava. E hoje como está o Tocantins?
Enquanto isso os sulistas de Goiás falavam muito do Corredor da Miséria, região compreendida à margem direita do Rio Tocantins, o Bico do Papagaio e suas grilagens de terra, mas, gostavam dos Currais Eleitorais onde os políticos tinham seus coronéis com os votos encabrestados para as eleições.
Este era o Tocantins que penava a luz de candeia e pouquíssimas cidades se serviam apenas da energia “choque de lanterna” da Usina Izamu Ykeda (Balsas Mineiro) na região Central, da Usina da Boa Esperânça, do Maranhão, que atendia poucas cidades do Norte do Estado e da de Cachoeira Dourada que atendia o sul do estado e mais precisamente às cidades localizadas às margens da BR-153. 80% das cidades conviviam com grupos geradores e falta de energia.
Hoje o Tocantins vende energia das Usinas de Peixe/Angical, Luiz Eduardo Magalhães, Izamu Ykeda, Estreito e pequenas usinas do Sudeste do Estado.
O Corredor da Miséria virou atração turística Internacional com o Parque do Jalapão, está povoado de indústrias de calcário na região Sudeste, tem o Projeto Manoel Alves exportando frutas e verduras para o Brasil, Projeto PRODECER, de Pedro Afonso, Projeto de Campos Lindos, ambos exportando soja para o Porto do Itaqui, no Maranhão e brevemente pela Ferrovia Norte/Sul, nascida e criada depois da divisão do Estado.
A margem esquerda do Tocantins e no Vale do Araguaia tudo se modificou desde a manutenção do Projeto Formoso, Javaés, Lagoa da Confusão, Parque do Cantão e grandes agropecuárias foram instaladas na região.
A BR-153 ficou povoada de cidades e se tornou uma grande Avenida de prosperidade.
Palmas abriu as portas para o Brasil e o Mundo e através de toda sua infra-estrutura de acesso aéreo e rodoviário, hotelaria e comércio, saúde e educação e sua povoação explodiu e hoje passa dos 200.000 habitantes em apenas 20 anos.
Hoje se contam nos dedos as cidades que não estão interligadas por asfalto neste Estado do Tocantins. Pontes aqui se contam em quilômetros não em unidades.
Levar imagem da periferia de Palmas para tentar jogar contra os que querem a divisão do Pará, é babaquice. O Pará como o Amazonas, tem sim, que ser divididos. Só quem conheceu o Tocantins antes da sua criação sabe o quanto desenvolveu e só quem conhece o Oeste e o Sul do Pará, sabe das suas dificuldades.
Sabe também das suas riquezas minerais, pecuária e extrativista, base de tudo para o sustento de Belém e adjacências.
Por que o Pará norte não quer a divisão? Faça você mesmo a sua análise conforme o quadro abaixo.
Como fica o PARÁ
Área 218.776,40 km² o que representa 17% da área territorial
Municípios 77
População 4,8 milhões de habitantes – 64% da população atual
Densidade demográfica 22,2 hab/km²
PIB % 32,5 o que representa 56%
PIB per capta R$ 6.461,00
Indústria R$ 6,8 bilhões
Serviços R$ 20,2 bilhões
Saldo da balança comercial 2,4 bilhões
Como fica o TAPAJÓS
Área territorial 732.509,50 km² o que representa 59% da área territorial
Municípios 27
População 1,2 milhões de habitantes
Densidade demográfica 1,6 hab/km²
PIB R$ 6,4 bilhões – 11% do PIB
PIB per capta R$ 4.960,00
Indústria (US$)1,6 bilhões
Serviços R$ 3,5 bilhões
Saldo da balança comercial (US$) 0,6 bilhões
Como fica o CARAJÁS
Área territorial km² 296.664,10 – o que representa 24% da área territorial
Municípios 39
População 1,6 milhões de habitantes – 20,7 %
Densidade demográfica 5,3 hab/km²
PIB R$ 19,6 bilhões - 33,5%
PIB per capta R$ 10.496,00
Indústria R$ 10,8 bilhões
Serviços R$ 6,2 bilhões
Saldo da balança comercial (US$) 8,7 bilhões
Esta é a famosa história da galinha dos ovos de ouro. Por que se desfazer dela?
Assim pensam os que não querem a divisão de seus interesses.
PSO. 10/12/12
Foto: uol.com.br
Fonte: Por Ademir Rêgo - Da Redação do SURGIU
Postador: surgiu.com (abr)