Caso Polyanna Arruda Suspeitos eram reincidentes no mundo do crime
A quadrilha usava armas para roubar veículos e não seria uma fatalidade matar uma vítima, como veio a acontecer
Postada em: 22/11/2011 ás 16:52:24                   Link:
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A quadrilha usava armas para roubar veículos e não seria uma fatalidade matar uma vítima, como veio a acontecer. Assassinato de publicitária foi só mais um item na ficha criminal de seus autores.

Os suspeitos de matar a publicitária e empresária Polyanna Arruda, em setembro de 2009, não eram primários no mundo do crime e poderiam estar presos, se a Justiça brasileira não fosse tão leniente com criminosos, inclusive com os perigosos. O crime que tirou a vida da publicitária é apenas mais um na lista de antecedentes criminais de Diango Gomes Ferreira, Assad Haidar de Castro, Leandro Garcez Cascalho e Marcelo Barros Carvalho. Esse último participou do roubo de um automóvel modelo Gol um dia após o assassinato de Polyanna Arruda. Já Assad Haidar se envolveu no roubo de outro Prisma preto no mesmo dia do assassinato da publicitária.

A morte da publicitária não passou de um contratempo para a quadrilha especializada em roubo de carro a mão armada. Há que se concluir que quem se arma para realizar qualquer ato está disposto a usar a arma. E se fez uso da arma uma vez e não foi punido pela Justiça, nada o impedirá de usar novamente com consequências mais graves. Foi o que aconteceu com a quadrilha que assassinou a publicitária.

Os outros envolvidos na morte da empresária e que morreram, Lavonierri da Silva e Deberson Ferreira Leandro, também faziam parte do submundo do crime. Lavonierri da Silva morreu em uma suposta troca de tiros com policiais militares, em dezembro de 2009, quando dirigia um Prisma, roubado horas antes. Deberson Ferreira, que se apresentava como policial militar, foi morto em fevereiro do ano passado quando atendia uma ligação em um telefone público. Há suspeita que era ligado a um grupo de extermínio.

O mecânico Diango Gomes Ferreira, que encomendou o roubo de um Prisma preto igual ao da publicitária a pedido de Leandro Garcês Cascalho, já havia sido preso por suspeita de receptação de carro roubado antes da morte de Polyanna Arruda e, depois do crime contra a publicitária, foi condenado por duas vezes pelo mesmo delito, receptação de carro roubado. Não foi preso em nenhuma das vezes.

Em julho de 2003, Diango e dois comparsas, Élber Alves Soares e Alberico Luiz Ferreira Júnior, foram presos ao ser flagrados com um veículo roubado. De acordo com o processo que já foi concluído, “Élber Alves Soares foi preso e autuado em flagrante delito por ter adquirido do denunciado Alberico Luiz Ferreira Júnior produto oriundo de crime em proveito próprio, no exercício de atividade comercial, que por sua vez foi recepcionado pelo denunciado Diango Gomes Ferreira, sendo sabida pelos denunciados a origem criminosa do produto”. Diango foi absolvido da acusação por falta de provas, enquanto Alberico e Élber foram condenados em março de 2011.

Em abril de 2010, Diango foi condenado pela prática do crime de receptação qualificada a quatro anos e seis meses de reclusão em regime semiaberto. Em outubro deste ano, voltou a ser condenado pela Justiça pelo mesmo crime. Nesse último processo, o mecânico — e outras duas pessoas, José Antonio Martins Neto e Lucas Cordeiro dos Santos — responderam pelo crime de receptação e desmonte de um carro roubado em 2009 e, mais uma vez, Diango foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão em regime semiaberto, mesmo sendo reincidente no mesmo delito. Conti­nuou em liberdade.

De acordo com a denúncia que consta nesse terceiro processo, em março de 2009, Diango e seus comparsas “receberam, ocultaram e desmontaram, no exercício de atividade comercial e em proveito próprio e alheio, um automóvel VW/Golf que sabiam ser produto de crime”. Diango é proprietário da oficina Diango’s Centro Automotivo, onde o carro foi desmontado. O veículo havia sido roubado dias antes e levado à oficina, onde “os denunciados, cientes da origem espúria deste, receberam e ocultaram em proveito próprio o automotor, passando a desmontá-lo”. Diango chegou a ser preso provisoriamente por receptação, mas logo ganhou a liberdade para encomendar, em setembro do mesmo ano, o Prisma que acabou levando a morte da publicitária.

O mecânico também é citado no inquérito policial que apura o crime de roubo qualificado de um Prisma preto na noite de 23 de setembro de 2009, no Jardim Europa. No mesmo dia em que a quadrilha teria matado Polyanna Arruda. Para a polícia, não há dúvidas de que foi Diango quem teria encomendado o veículo à quadrilha que, durante o roubo, matou a publicitária. Segundo consta no inquérito: “Diango Gomes Ferreira solicitou a Lavonierri da Silva Neiva, falecido aos 03/12/09, que roubasse um veículo Prisma de cor preta. O veículo encomendado foi subtraído na noite do dia 23/09/09, figurando como principais suspeitos Assad, Lavonierri e dois indivíduos ainda não identificados”. Trata-se de Lucas Antônio Pereira Neto e Bruno Braga Lemes.

Diango Gomes Ferreira e Assad Haidar de Castro agora são suspeitos no inquérito que investiga a morte de Polyanna Arruda. Pelo roubo do segundo Prisma, Assad teve a prisão preventiva decretada, visto que “o representante do Ministério Público, manifestou-se favoravelmente à decretação da prisão temporária, justificando que, solto, o investigado atenta contra a ordem pública, considerando a sua extensa ficha criminal”.

Assad Haidar de Castro também não é primário no mundo do crime. Ele e o mecânico José Caetano de Oliveira Junior foram julgados em julho de 2010 por roubo a mão armada. De acordo com os autos do processo, no dia 24 de novembro de 2009, um mês depois do assassinato de Polyana Arruda, eles roubaram, “mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo, o veículo Toyota/Corolla”. Consta ainda no processo, que Assad era reincidente, como pode-se ver a seguir: “milita em desfavor do acusado Assad Haidar, a circunstância agravante prevista no inciso I, do artigo 61, do Código Penal, uma vez que se trata de acusado reincidente”.

José Caetano de Oliveira Junior foi absolvido da acusação e Assad condenado. De acordo com a sentença, foram considerados os antecedentes de Assad, que não eram bons, a motivação — “o ganho fácil, sem a contrapartida do esforço, pelo trabalho lícito” — e que Assad Haidar se aproveitou do fato de que a “vítima estava acompanhada de uma criança no veículo, colheu-a de surpresa, o que dificultou a sua defesa”. Assad foi condenado a seis anos, dez meses de reclusão em regime semiaberto.

O terceiro componente da quadrilha, Marcelo Barros de Carvalho, é descrito, no pedido de sua prisão preventiva, como uma “pessoa contumaz na prática de crimes contra o patrimônio, estando inclusive, preso por outro processo que também tramita perante este juízo, que apura um suposto crime de roubo a veículo automotor”. O roubo de um Gol no dia 24 de setembro de 2009. A prisão preventiva de Marcelo Barros foi estendida por causa do roubo de uma moto Honda Biz, confessado quando estava na prisão. De acordo com os autos do processo, Marcelo e Lavonierri da Silva roubaram a moto de uma mulher que estava acompanhada do filho de 8 anos e adulteraram o chassi do veículo. Segundo o relato do próprio Marcelo, depois de ter a moto Biz furtada, ele e Lavonierri decidiram roubar uma parecida e substituir o número de chassi pelo da moto roubada.

Leandro Garcez Cascalho é investigado pelo roubo do Prisma preto, crime cometido no mesmo dia da morte da publicitária, por volta das 9 horas da noite. Consta no processo que Lavonierri da Silva, Lucas Antônio Pereira Neto, Bruno Braga Lemes e Assad Haidar roubaram o carro no Jardim Europa e o entregaram a Diango Gomes Ferreira e Leandro Garcez Cascalho em um posto de combustíveis, na saída para Guapó. Nos autos, Leandro aparece como comprador e vendedor de veículos. Ele teria pago R$ 2 mil para Lavonierri pelo carro roubado.

Os processos citados acima são aqueles que já tramitam na Justiça, mas pode haver outras investigações nas polícias que dão conta do envolvimento dos quatro suspeitos em delitos.

Entenda o caso

A publicitária e empresária Polyanna Arruda foi assassinada em 23 de setembro de 2009. O inquérito se baseia nos relatos de um dos suspeitos, Marcelo Barros Carvalho, que, em dezembro do ano passado, confessou participação no latrocínio, que teria sido praticado também por Assad Haidar de Castro, Lavonierri da Silva Neiva e Deberson Ferreira. Os dois últimos já mortos. Lavonierri em dezembro de 2009 durante suposta troca de tiros com policiais militares e Deberson foi assassinado em fevereiro do ano passado não se sabe por quem.

Os suspeitos teriam passado a noite cheirando cocaína e depois saíram para roubar um Prisma preto — carro de Polyanna, encomendado por Diango Gomes Ferreira a pedido de Leandro Garcez cascalho, que teria adquirido um Prisma preto em um leilão de seguros e queria remontar o carro com peças de um veículo novo. Polyanna teria reagido, houve muita luta e eles a mataram com oito tiros. Marcelo Barros afirma que a vítima foi estuprada, mas os exames não apontam violência sexual.

O corpo foi encontrado 30 horas depois de acharem o carro perto do Residencial Humaitá, às margens do Cór­rego Caveirinha, na Região Norte de Goiânia. O veículo foi encontrado incendiado mais adiante, na Rua Xavante, no Residencial Caraíbas.

A polícia tipifica o crime como roubo com aumento da pena por emprego de arma, no qual havia mais de um envolvido, em que a vítima teve sua liberdade restringida, além de homicídio por motivo torpe — diante da resistência da vítima às investidas sexuais — com a impossibilidade de defesa da vítima.

Marcelo Barros Carvalho e Assad Haidar de Castro estariam sujeitos a essas acusações. Diango Gomes Ferreira e Leandro Garcez Cascalho, que teriam encomendado os Prismas do mesmo modelo que o de Polyanna Arruda a Lavonierri da Silva, não se enquadram em todos os crimes. Podem ser indiciados apenas por receptação de produto roubado, mas há a possibilidade de serem enquadrados no crime de formação de quadrilha e outros delitos, uma vez que o receptador é aquele que compra o produto sem saber se é ou não produto de roubo. Diango e Leandro solicitaram o veículo e, dessa maneira, se tornaram partícipe do roubo.


Foto: Jornal Opção           Fonte: Jornal Opção           Postador: surgiu.com (abr)


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