Na internet, população da China critica repressão contra "capital do sexo"

\"Dongguan, aguente firme\" virou principal tópico da web

Postada em: 12/02/2014 00h08m
A exposição feita por uma TV estatal da "capital do sexo" da China e uma muito propagandeada repressão policial subsequente atraíram críticas do público, que expressou simpatia com as profissionais do sexo e sugeriu que as autoridades tenham como alvo outros tipos de transgressões.

A cobertura da ação realizada no fim de semana por 6,5 mil oficiais em Dongguan, no sul do país — cheia de imagens de mulheres algemadas com suas cabeças curvadas —, estimulou muitos a se manifestar em sites online com tons mais críticos à matéria da Televisão Central da China (CCTV) e à repressão do que à prostituição.

"Dongguan, aguente firme", foi um dos principais tópicos do Sina Weibo (Twitter chinês) na segunda-feira, com uma variação da frase tendo sido reescrita mais de 1,5 milhão de vezes na manhã desta terça. Outra frase popular foi "Não chore, Dongguan", sugerindo uma mudança de posição em relação à prostituição entre alguns membros do público chinês.

Alguns internautas sugeriram que as mulheres acabaram no negócio do sexo porque tinham pais doentes ou irmãos para apoiar e pediram que as autoridades lhes oferecessem mais ajuda durante a repressão. Outros disseram que o poder policial seria mais útil para combater a corrupção entre os funcionários públicos e outros tipos de crimes. Algumas vozes que o comércio do sexo na China seja legalizado para pôr fim à discriminação contra as profissionais do sexo.

"Não há como erradiá-lo. A legalização deveria ocorrer em algumas circunstâncias estreitamente definidas", tais como zonas especiais que são regulamentadas, disse nesta terça Wang Yongzhi, 37, que trabalha em TI em Pequim.

Baseado em Xangai, Gong Bin, 26, que trabalha como um vendedor em uma companhia de alimentos, disse sentir simpatia pelas garotas que escolhem fazer dinheiro por meio da venda de sexo e culpou a sociedade e seu ambiente.

"As pessoas estão mudando suas cabeças em relação à prostituição. Antes me sentia muito envergonhado em assistir a esse tipo de notícia, enquanto agora tantas pessoas ao meu redor falam sobre isso", disse. "O governo poderia pedir que algumas organizações ajudassem a cuidar dessas garotas."

Na matéria veiculada pela CCTV no domingo, repórteres disfarçados com câmeras escondidas filmaram serviços sexuais oferecidos em hotéis de Dongguan. Em um, a gravação mostrou uma cadeia de mulheres enfileiradas, identificadas por um número, preço e sua cidade natal. Os preços variavam de US$ 115 a US$ 330. Um repórter da CCTV ligou para a polícia para informar que havia prostituição em dois hotéis, mas a polícia não apareceu.

Entretanto, horas depois da transmissão da matéria no domingo, a polícia de Dongguan lançou a repressão, que foi incluída em uma operação de três meses no comércio sexual de toda a Província de Guangdong. Até a manhã de segunda-feira, 12 locais de entretenimento envolvidos com prostituição haviam sido fechado e 67 pessoas foram postas sob investigação.

Algumas manifestações online expressaram surpresa que mais locais se tornaram alvo e disseram que o comércio sexual em Dongguan não teria florescido sem o apoio da polícia e das autoridades locais.

O Ministério de Segurança Pública anunciou na segunda que a polícia local seria investigada por abandono de trabalho.

O governo oficialmente vê a prostituição como uma "feio fenômeno social" e a solicitação, venda ou posse de sexo na China é ilegal. Entretanto, apesar de repressões frequentes do governo, a prostituição continua exuberante em casas de massagem, karaokês e clubes noturnos, e as prostitutas regularmente ligam para os quartos dos hotéis em busca de clientes.

CHINA

Digite o codigo abaixo:

Recarregar imagem

Publicidades Surgiu-54