Foto:Acervo Pessoal
Desabafo de uma irmã que sofre!
DESABAFO de uma irmã que sofre MUITO a ausência do irmão querido. As pessoas estão longe de saber como sobrevivemos a esse ano de 2011. Só existe uma explicação: DEUS carrega no colo quem crê nele, e nossa família CRÊ muito em DEUS. Ao acordamos na manhã do dia 22 de Janeira de 2011, não imaginávamos o que nos esperava. Após receber uma ligação, seguimos, Eu, Papai e Mamãe, absolutamente calados dentro do carro. Ao chegarmos ao Local, meu carro estava fechado e estacionado, fui a primeira a descer, olhei pelo vidro antes de abrir a porta, quando a abri a porta da frente às coisas do porta luvas estavam todas jogadas no banco, passei para abrir a porta de traz, enquanto isso Papai olhava em torno e Mamãe o banco da frente, abri a porta de traz e não tinha nada, então pensei, seqüestraram meu Irmão, logo disse: Papai liga para a Polícia, ele ficou andando perto para buscar sinal do celular, Mamãe foi para o banco de traz do carro, e eu sai rumo ao bagageiro, e sem a MENOR noção do que ali ia encontrar ABRI. Foi quando vi meu Irmão, sem camisa, todo ensangüentado e com um saco de lixo na cabeça, eu Gritava... Gritava Muitooo: Meu Deus, meu Deus... Meus pais sem entender nada perguntaram: o que foi... Foi quando viram o bagageiro... Mamãe, em um momento de materialização de FÉ, começou a chorar e dizer: Pedro vem rezar pelo nosso menino que Nossa Senhora esta levando ele... Costumo dizer que daquele momento em diante eu descobri o verdadeiro significado da FÉ... Eu e Papai gritando muito no meio da BR, tentando uma ajuda e Mamãe rezando pelo meu irmão, sentada ao lado do carro. O MAIOR TESTEMUNHO DE FÉ QUE JÁ VI. Parou um carro com três homens dentro, entrei no carro e disse: Moço me leva em Paraíso pelo amor de Deus... O Moço deu ré e ficou olhando para meu irmão morto, amarrado e todo sujo de sangue... Muito sangue... Naquele momento veio uma luz muito forte sobre mim e eu escutei: Seu irmão naquele estado e você vai entrar em um carro com três desconhecidos?? Imediatamente desci do carro e disse eu que iria a Paraíso, Papai não queria deixar e eu gritei com ele: O senhor fica aqui cuidando da minha Mãe, eu vou a Paraíso...E MINHA DISSE; VAI QUE NOSSA SEMHORA TE LEVA MINHA FILHA. Fui dirigindo 10 km... Liguei para a Polícia, para o Tiago (que tinha ficado em casa se arrumando para sair), e para o Danilo. Voltamos para o local, juntamos os quatro, e unidos, como sempre fomos, rezamos para o Gu. Chegaram família, a polícia, os delegados, alguns amigos... Mamãe só dizia que Nossa Senhora ia mostrar a ela quem tinha feito aquilo com o filho dela, ela repetiu isso inúmeras vezes, e foi o que aconteceu, Nossa Senhora mostrou à Polícia quando Elas (Assassinas), tiveram a capacidade de passar três vezes na porta da minha casa. Depois do enterro, eu fiquei 05 meses dormindo todos os dias no quarto dos meu pais, as pessoas me perguntavam se tinha medo do meu irmão, NUNCA tive medo do meu irmão morto, pelo ao contrario, amaria poder vê-lo, tenho medo dos vivos, de pessoas ruins como aquelas mulheres... Por vezes, como agora, houve momentos de desespero, mas sei que passa. Fiz tratamento com psicóloga para aprender a conviver com o vazio que agora faz parte de nossas vidas. O Gu era a nossa alegria, quem o conheceu sabe bem do que estou falando, ele era amigo de todos (Pobre ou Rico... Branco ou Preto... Limpo ou Sujo... Hetero ou Homossexual... Amigo dele ou amigos nossos ou amigo do amigo dele...). Enfim nunca distinguiu ninguém pelo o que a pessoa tinha na vida, sempre fez questão de distribuir amor (Costumo dizer que isso ele aprendeu em casa, amar as pessoas). Ele conseguiu ser único para cada um que o conheceu ou que o viu uma única vez, uma personalidade impar, diferente, alegre, amorosa, carinhosa (É o que sinto mais falta, dos abraços fortes dos beijos amassados), e acima de tudo temente a Deus. Escutamos muitas coisas do meu irmão que nem imaginávamos, por exemplo: A tia que vende bombom na faculdade que disse a Mamãe “Seu filho não tinha vergonha de mim, ele me beijava na frente dos amigos dele, ele vendia meus bombons ou comprava e me dava para vender de novo, não gostava que eu ficasse na rua anoite, sempre me levava para casa, ele me prometeu uma camisa do flamengo (O Tiago deu a camisa oficial dele para ela).” Ela não vai mais na faculdade vender bombons. Outra senhora que não sabemos o nome disse a Mamãe: “A senhora não me conhece, mas eu tenho um filho com deficiência mental, e seu filho Gustavo me ligava todo mês para saber se eu tinha tido condições de comprar os remédios do meu filho, o mês que não dava conta ele comprava para mim.” Uma amiga que disse: O Gu foi me ensinar a dirigir La perto do hospital regional, na volta passou perto uma senhora com um monte de netos, logo foi ao supermercado Fátima e fez uma compra e levou para a mulher com os netos. Ele não nos dizia essas coisas, não dia a ninguém, porque isso era dele, para ele não era nada demais, estava apenas fazenda a parte dele, sem precisar contar vantagem. Esse era meu irmão. Em casa era a alegria de nós cinco, sempre sorrindo, sempre brincando, sempre enchendo a paciência de alguém, muito ligado a todos nós. Aqui em casa não existe esse de filho ter vergonha de abraçar, beijar e dizer que ama pai ou mãe ou irmão fazemos isso sempre uns com os outros, o Gu sabia o quanto ele era amado e querido por nós, e nós sabemos o quanto ele nos amava e queria bem. E essa linha segue com tios, primos, avós (A Coisinha boa dele. Fazia questão de carregar minha avó para cima e para baixo como um troféu, amava ele incondicionalmente). As reuniões de família ele era sempre a atração principal, sempre com uma piada nova, com graça diferente, uma amor especial e diferente para distribuir. O Gu tinha um chama especial para crianças, como todas as crianças que ele convivia, (Primos, filhos de primos, afilhada, filhos de amigos, sobrinho de amigos) enfim todas as crianças o adoravam, deve ser porque se entendiam, o Gu uma eterna criança que sempre foi, sabia entender as outras crianças. Dia 02 de Dezembro de 2010, eu fiz um jantar para comemorar meu aniversário, meus pais viajaram com o Tiago e a Pâmela e ele ficou, disse que ia ficar comigo para receber meus convidados, nesse dia fez uma linda declaração de amor para mim e eu para ele, sem imaginar que seria o último ano comemorado juntos. E com o Gu até as brigas eram diferentes (Sim, nós brigávamos também como todo irmão e como toda família normal), ninguém conseguia ficar com raiva dele por tempo nenhum, quando menos esperava estava eu ligando para ele ou ele ligando para mim. Com o Tiago, Mamãe e Papai eram assim também, minha Mãe nos ensinou desde criança que irmão não pode ficar brigados, nunca permitiu que ficássemos sem conversar um com o outro, e aqui é assim, fala de mim, mas não fala dos meus (Pai, Mãe e Irmãos). Ele era amigo intimo confidente de todas as moças que trabalharam aqui em casa, isso também aprendemos com minha mãe, o dia que elas não esperavam ele para almoçar a briga estava armada, RS... No dia 21 de Janeiro de 2011 (Sexta feira que ele foi assassinado), ele estava na sala da nossa casa jogando vídeo game com 5 funcionários da nossa empresa, (na verdade um, porque quatro ele nem conhecia ainda, iam começar a trabalhar conosco), eu e Mamãe fizemos uma carne na chapa com mandioca para eles comerem, logo ele recebeu uma ligação e saiu para nunca mais voltar. Para falar do meu maninho lindo (Como nos chamávamos), teria que escrever um livro (O que não é uma idéia descartada), foram tantas histórias, tantas viagens, tantos apelidos, tantas brigas, tantas conversas sérias, tantos momentos, tanto amor, tanto carinho, tanto orgulho, tanto apoio, tanto companheirismo, tanto... tanto... tanto... Hoje Tantas saudades.... E a nossa luta continua até hoje, lutamos para nos mantermos de pé, para não deixarmos de acreditar nas pessoas, para que a Justiça seja feita em memória do meu irmão, (Eu e Mamãe prometemos isso a ele), para convivermos em uma sociedade digna de pessoas e não de animais. O que nos mantém de pé é saber que TUDO, mas TUDO mesmo que estava ao nosso alcance, durante 24 quase 25 anos de vida foi feito e dito ao Gu, ele viveu intensamente, amou intensamente, fez amizades intensas, serviu a Deus intensamente, ele não passou simplesmente pelo mundo, ele VIVEU cada minuto que Deus deu a ele, com muita, mas muita dignidade, caráter, honestidade, solidariedade e acima de tudo com muito, mas muito AMOR ao próximo, uma pessoa que veio ao mundo para servir e não para ser servido, que amou e é até hoje muito amado. Reconhecemos que todas as orações, e energia positiva que recebemos nesse quase um ano de ausência do Gu é mérito dele, ele e nós estamos colhendo o que ELE plantou em vida. Nós só agradecemos a todos por TUDO... Não existem palavras no mundo capaz de descrever nossa gratidão por todos de PARAÍSO e de fora também... Obrigada, e que Deus possa retribuir a todos tudo de bom que nos desejaram.